Brasília (ABr e AE) - Depois de uma sessão turbulenta em que chegou a ultrapassar R$ 2,50, o dólar reverteu a tendência e fechou em baixa, ontem. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 2,462, com queda de 1,2%. Na quinta-feira (2), a cotação ficou em R$ 2,492, atingido o valor mais alto desde 7 de dezembro de 2008, poucos meses após o início da crise econômica nos Estados Unidos. Na ocasião, o câmbio tinha fechado em R$ 2,50.

Na máxima do dia, por volta das 11h30, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 2,505. Com a queda de ontem, a cotação encerrou a semana com alta de 1,88% em relação a sexta-feira da semana passada, quando tinha fechado em R$ 2,416. As tensões da corrida eleitoral e a recuperação da economia dos Estados Unidos, que estimula a fuga de dólares de países emergentes como o Brasil, estão pressionando o câmbio. O governo, no entanto, alega que os fatores externos estão influenciando muito mais a cotação que a situação interna da política e da economia.

Instabilidade
No início da semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu a instabilidade no mercado financeiro ao quadro internacional. Segundo ele, nas últimas semanas tem havido volatilidade maior por causa da perspectiva de aumento da taxa de juros a partir de 2015 pelo Federal Reserve, Banco Central norte-americano, e de turbulências internas em vários países.

Ao comentar o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na última segunda-feira (29), o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, disse que a intensidade do repasse da variação da moeda norte-americana para a inflação é bem menor do que há dez anos. Para ele, o baixo crescimento da economia pode conter o efeito da alta do câmbio sobre os preços internos.

Mesmo com a disparada do dólar de mais de 10% no último mês, o Brasil ainda conseguiu atrair mais moeda americana do que o enviado ao exterior na semana passada. O valor foi modesto e já demonstra tendência de enfraquecimento das trocas com o exterior. Mas foi suficiente para deixar o resultado do ano ainda positivo. Além disso, é um fator de ajuda no trabalho do Banco Central de tentar suprir o mercado, ávido por proteção cambial em momentos de instabilidade.

Entre 22 e 26 de setembro, o saldo entre entradas e saídas da moeda chegou a US$ 131 milhões.