Foto: gerada por IA
A demanda por investimentos para financiar a produção no campo supera a capacidade de financiamento do setor público. Um estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pela FGV Agro mostra que o agronegócio brasileiro precisa de R$ 1,2 trilhão no ciclo 2025/26. No entanto, os recursos públicos cobrem apenas um terço desse valor.
Por causa dessa limitação, o crédito privado ganhou espaço nos últimos anos. Embora o governo tenha ampliado os recursos destinados ao Plano Safra, o volume ainda não atende às necessidades de financiamento do setor.
Crédito tradicional impõe barreiras a pequenos e médios produtores
Além do volume insuficiente, o crédito rural tradicional apresenta outros desafios. Segundo a FGV Agro, os custos acessórios são elevados e as exigências de garantias permanecem rigorosas. Como resultado, pequenos e médios produtores enfrentam mais dificuldades para obter financiamento.
Ao mesmo tempo, mudanças nas regras do setor impulsionaram a participação do mercado privado. Desde a criação da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), em 1994, novas modalidades de financiamento ampliaram as opções disponíveis para o agronegócio.
“Nesse sentido, vale destacar que a transição para um modelo com maior participação privada foi impulsionada por uma notável evolução normativa ao longo das últimas décadas”, destaca o relatório da FGV Agro.
Ferramentas privadas ganham espaço
Nos últimos anos, instrumentos privados passaram a desempenhar um papel cada vez mais relevante. Entre eles estão as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), a Cédula de Produto Rural (CPR), o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e o Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). Esses instrumentos se consolidaram como alternativas para produtores e investidores.
Além disso, a FGV Agro afirma que o produtor rural enfrentou uma sequência de choques nos últimos anos. Em 2022, os custos aumentaram devido à alta dos insumos. Já em 2023, a queda dos preços das commodities pressionou a rentabilidade. Antes disso, em 2021 e 2022, as quebras de safra reduziram a produtividade.
Recuperações judiciais preocupam o setor
Outro ponto de atenção é o aumento dos pedidos de recuperação judicial. Segundo a FGV Agro, esse mecanismo pode aliviar dificuldades financeiras no curto prazo. Entretanto, no futuro, ele tende a restringir o acesso ao crédito, elevar os custos dos financiamentos e aumentar a exigência de garantias.
Por fim, a entidade afirma que o sucesso da transição para um modelo baseado no mercado de capitais depende da superação de desafios regulatórios, jurídicos e de gestão de riscos.
“Olhando para o futuro, a integração estratégica entre o crédito privado, o seguro rural e as emergentes finanças sustentáveis será o alicerce para construir um agronegócio brasileiro mais competitivo, capitalizado e resiliente”, conclui o estudo.
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