Irã afirma que seguirá princípio da reciprocidade em acordo com os EUA


 Foto: AFPTV/ AFP

O Irã afirmou nesta segunda-feira, 13, que deixará de cumprir o memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos caso Washington não honre o compromisso de trabalhar pelo fim da guerra entre os dois países. A declaração ocorre em meio à intensificação dos confrontos na região do Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores marítimos mais estratégicos para o comércio global.

Em entrevista coletiva em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, disse que a posição do país seguirá o princípio da reciprocidade.

“Cada vez que a outra parte deixou de cumprir suas obrigações, nós também deixamos de cumprir as nossas. Continuaremos a agir dessa maneira”, afirmou.

Apesar do tom de ameaça, Baqaei declarou que Teerã continua mantendo diálogo com mediadores internacionais na tentativa de evitar uma nova escalada do conflito com os Estados Unidos.

Enquanto isso, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) informou ter realizado, na segunda-feira, uma série de ataques contra dezenas de alvos iranianos, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos de mísseis e drones, além de pequenas embarcações utilizadas pela Guarda Revolucionária.

Em comunicado, os militares americanos reforçaram que o Estreito de Ormuz é uma rota essencial para a economia mundial e rejeitaram as reivindicações iranianas sobre a região.

“O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo vital para o comércio global. O Irã não o controla”, afirmou o Centcom.

A declaração foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, principal força militar do país e responsável pelo arsenal de mísseis balísticos. Em nota, a corporação classificou a presença americana na região como ilegal.

“O Estreito de Ormuz é nosso território e não permitiremos que um exército rebelde e assassino de crianças do outro lado do mundo continue sua interferência ilegal nele”, declarou.

A União Europeia também se manifestou. A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, defendeu a reabertura da hidrovia e o respeito à liberdade de navegação.

“O Estreito de Ormuz precisa ser aberto, e a liberdade de navegação precisa ser respeitada”, disse.

Estadão

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