Líbano testa acordo com Israel


 Foto: reprodução / internet

O acordo mediado pelos Estados Unidos para reduzir as tensões entre Israel e Líbano começou a ser colocado em prática nesta semana com a criação das primeiras “zonas-piloto” no sul do território libanês. O Exército do Líbano iniciou a operação para assumir a segurança dos vilarejos de Froun, Srifa e Zawtar al-Gharbiya, marcando o primeiro teste do mecanismo firmado em 26 de junho entre Washington, Beirute e Tel Aviv.

Pelo entendimento, as tropas israelenses iniciam uma retirada gradual dessas localidades, enquanto as Forças Armadas libanesas passam a exercer controle exclusivo da segurança e a remover armas e estruturas militares do Hezbollah. O processo representa a etapa inicial de um plano mais amplo para reduzir a presença militar israelense no sul do país e reforçar a autoridade do Estado libanês na região.

O Departamento de Estado americano classificou o início das operações como um resultado direto das negociações realizadas na última semana em Roma entre representantes de Israel e do Líbano, sob mediação dos Estados Unidos. Segundo o porta-voz Tommy Pigott, o Grupo de Coordenação Militar para o Líbano acompanhará a implementação do acordo antes da ampliação do modelo para outras localidades ao sul do rio Litani.

Do lado israelense, autoridades confirmaram apenas um reposicionamento parcial das tropas em uma das áreas-piloto, sem divulgar cronograma para novas retiradas. O governo de Benjamin Netanyahu sustenta que manterá uma faixa de segurança de aproximadamente 10 quilômetros ao longo da fronteira enquanto considerar que o Hezbollah continua armado e representa ameaça à população israelense.

A implementação ocorre em um ambiente de elevada fragilidade política e militar. O Hezbollah rejeita o acordo por considerar que ele amplia a influência americana sobre o Líbano e condiciona a retirada israelense ao enfraquecimento da organização apoiada pelo Irã. Apesar do entendimento diplomático, Israel continua promovendo ataques pontuais no sul libanês, alegando combater estruturas militares do grupo.

Paralelamente, o Exército libanês intensificou patrulhas em vilarejos próximos às áreas ocupadas e prepara novas operações de estabilização caso a retirada israelense avance. Analistas avaliam que o sucesso das zonas-piloto dependerá da capacidade das forças libanesas de impedir o retorno de combatentes do Hezbollah às localidades evacuadas, condição considerada essencial por Washington e Tel Aviv para dar continuidade ao plano.

O avanço das operações coincide com uma ofensiva diplomática liderada pelos Estados Unidos para consolidar um novo arranjo de segurança no Oriente Médio. Nesta terça-feira, o presidente libanês, Joseph Aoun, reuniu-se na Casa Branca com o presidente Donald Trump para discutir o fortalecimento das Forças Armadas libanesas, a retirada gradual das tropas israelenses e o futuro da influência do Hezbollah no país.

A administração americana considera o acordo uma oportunidade para ampliar a presença do Estado libanês no sul do território e reduzir o protagonismo da milícia xiita, enquanto Beirute busca obter garantias de soberania, apoio financeiro para reconstrução das áreas afetadas pela guerra e pressão internacional para que Israel conclua a retirada prevista no entendimento firmado entre os dois países.

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