Ministro da PrevidĂȘncia diz ser contra nova reforma que aumente idade de aposentadoria


  Foto: Wilton Junior/EstadĂŁo

BRASÍLIA - O ministro da PrevidĂȘncia Social, Wolney Queiroz, disse nĂŁo concordar com diversos analistas do mercado sobre a necessidade de uma nova reforma da PrevidĂȘncia. A Ășltima grande mudança nas regras de aposentadoria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos servidores pĂșblicos foi feita em 2019.

“Eu entendo que as premissas, quando se fala de reforma, seriam de que vai haver uma pressĂŁo por conta do envelhecimento da população”, reconheceu ele em entrevista ao portal Jota. “Mas eu considero que Ă© muito injusto que se olhe sempre para uma nova reforma da PrevidĂȘncia, como se costuma fazer, aumentando idade ou aumentando alĂ­quota. Eu acho isso muito cruel”, prosseguiu, citando diferenças regionais no PaĂ­s.

Na sequĂȘncia, ele afirmou que hĂĄ outros mecanismos que repercutem na PrevidĂȘncia sendo pouco olhados, como a desoneração da folha, com impacto de cerca de R$ 28 bilhĂ”es por ano.

Questionado sobre outras autoridades do governo que defendem uma nova reforma, o titular da PrevidĂȘncia afirmou que sua função no governo Ă© fazer a defesa da proteção social.

“Eu estou fazendo o meu papel de defender o aposentado mais vulnerĂĄvel, aquele que mais precisa. LĂłgico que eu sei que em determinados momentos, nĂłs vamos precisar fazer um ajuste dos nĂșmeros da PrevidĂȘncia, eu falei disso quando falei da desoneração da folha”, disse.

“NĂłs estaremos desafiados - todos nĂłs, a inteligĂȘncia brasileira - a construir soluçÔes para a PrevidĂȘncia que sĂŁo reais, que nĂłs precisamos ajustar e adequar, mas sempre com o olhar de nĂŁo penalizar aqueles que jĂĄ vivem muito sofridos, que sĂŁo os trabalhadores brasileiros”, completou.

Fila do INSS

O ministro disse que o governo vai conseguir zerar a fila do INSS até o fim do ano ou antes disso. Ele citou que jå houve uma redução de 79% de fevereiro até agora e que a ideia é manter apenas o fluxo mensal de 1,3 milhão de pedidos com respostas em até 45 dias.

“NĂłs reduzimos a fila em 79% de fevereiro atĂ© agora, acredito que muito tranquilamente zeraremos essa fila atĂ© o fim do ano. Pode atĂ© ser que isso aconteça antes do fim do ano.”

Ele afirmou que o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) vai conseguir cumprir sua promessa de campanha de zerar a fila, mas que o desafio seguinte Ă© tratar o fluxo mensal de pedidos dentro do prazo de 45 dias para que nĂŁo entrem formalmente na fila.

“Zerar essa fila significa vocĂȘ ter todo esse fluxo de pedidos sendo respondidos no prazo de 45 dias…na hora que vocĂȘ conseguir fazer com que todas as respostas sejam dadas pelo INSS nesse prazo nĂłs estaremos entĂŁo com a fila zerada”, completou.

Sobre a possibilidade de permanecer no governo em um eventual novo governo do presidente Lula, Wolney afirmou que não é possível afirmar porque, em 2027, terå nova correlação de forças, mas que ele espera ser lembrado com quem assumiu o ministério na crise do INSS.

Sobre a PrevidĂȘncia ser um dos principais litigantes no paĂ­s, ele afirmou que a ideia Ă© reduzir essa judicialização nos processos envolvendo a Pasta como uma prioridade para um eventual novo governo.

Como mostrou o Estadão, o governo Lula descumpriu as metas estipuladas para o tempo de espera por aposentadorias e pensÔes do INSS e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025. Agora, o Executivo busca diminuir a fila em 2026, diante das eleiçÔes presidenciais. O levantamento faz parte da prestação de contas do presidente Lula encaminhada para julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Reembolso a fraudes do INSS

O ministro da PrevidĂȘncia Social informou que foram pagos R$ 3,2 bilhĂ”es a pessoas fraudadas por desvios no INSS. “NĂŁo ficou ninguĂ©m para trĂĄs”, afirmou. O ministro disse acreditar que, daqui para a frente, nĂŁo haverĂĄ nenhum acrĂ©scimo em valores ressarcidos.

Segundo ele, apĂłs a fraude, foram incorporados mais mecanismos de proteção e neste mĂȘs o ministĂ©rio recebeu um reconhecimento de nĂ­vel mĂĄximo de integridade da Controladoria-Geral da UniĂŁo (CGU). “HĂĄ poucos ministĂ©rios com esse nĂ­vel”, destacou.

“Acredito que vai ter uma discussĂŁo central na campanha deste assunto [fraude no INSS]. A oposição vai tentar usar isso contra o governo, mas acredito que o governo vai entrar muito bem nesse assunto”, sustentou. Ele disse ainda que a fraude nĂŁo começou no governo Lula, mas foi descoberta e encerrada na gestĂŁo petista.

“Todas as medidas foram feitas para que o dinheiro fosse devolvido aos aposentados. E nĂłs hoje temos critĂ©rios muito mais cuidadosos. EntĂŁo, as fraudes nĂŁo vĂŁo acontecer nunca mais naquelas modalidades em que aconteceram”, prosseguiu.

Em seguida, ele disse que vai ficar claro nas eleiçÔes que a fraude no INSS começou antes de Lula, em 2017, e escalou em 2019, e que o governo permitiu a investigação do caso. Wolney evitou comentar a participação do filho do presidente da RepĂșblica no esquema.

“O Lulinha nĂŁo estĂĄ entre os indiciados, nĂŁo sei nem se ele estĂĄ sendo investigado, mas o presidente fez questĂŁo de dizer que todos aqueles que tiverem algum tipo de envolvimento serĂŁo investigados”, se limitou a dizer.

EstadĂŁo 

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