UE vai gerar mais mercados para o RN

 Foto: josé aldenir


 O Rio Grande do Norte poderá ampliar significativamente sua presença no mercado europeu caso entre em vigor o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) identificou 97 produtos potiguares com potencial de exportação para os 27 países do bloco europeu, colocando o Estado entre os beneficiados pelo tratado, que prevê a criação de um mercado integrado de aproximadamente 720 milhões de consumidores e pode gerar US$ 1 bilhão em vendas adicionais de produtos brasileiros para a Europa nos próximos anos.

As oportunidades foram reunidas na plataforma Painel Acordo Mercosul-União Europeia: Oportunidades por Estado, lançada pela ApexBrasil para orientar empresas e governos sobre os setores mais competitivos em cada unidade da Federação. No total, o estudo identificou 543 oportunidades comerciais distribuídas pelos Estados brasileiros, considerando produtos que já possuem inserção internacional e aqueles que apresentam potencial de acesso ao mercado europeu com a redução gradual das barreiras tarifárias.

No caso do Rio Grande do Norte, a fruticultura aparece como principal beneficiária do acordo. Produtos que já ocupam posição de destaque na pauta exportadora estadual, como melão, melancia, mamão, manga e goiaba, concentram oportunidades em praticamente todo o bloco europeu. A plataforma indica potencial para exportação de melancias, mamões, mangas e goiabas para 23 países, incluindo Alemanha, Espanha, França, Itália, Países Baixos, Polônia e Portugal. O melão, principal item agrícola da balança comercial potiguar, possui oportunidades mapeadas em 20 mercados, entre eles Áustria, Bulgária, Croácia e Irlanda.

Para o presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex-RN), Fábio Queiroga, o levantamento representa apenas parte do potencial existente. Segundo ele, além das frutas já consolidadas nas exportações, outras culturas tendem a ganhar espaço com a eliminação gradual das tarifas de importação.

“As frutas representam um volume expressivo na balança comercial do RN, com produtos como melão, melancia, mamão e manga, mas há outros que podem se beneficiar com o acordo, como pitaya, limão, abacaxi e maracujá. A Agrícola Famosa começa a despontar como um grande potencial produtor de uva do estado para fins de exportação para a União Europeia”, afirma.

A avaliação é compartilhada por Luiz Roberto Barcelos, sócio-fundador da Agrícola Famosa, uma das maiores exportadoras de frutas do País. Segundo ele, a retirada das tarifas representa um ganho imediato de competitividade para o setor.

“Na União Europeia, o imposto cobrado para frutas frescas fica na média de 10%, índice calculado sobre o valor do produto quando chega ao continente, além do frete. A fruticultura brasileira tem a Europa como principal destino — representa quase 70% das vendas do setor para o exterior. O imposto tirava nossa competitividade, porque outros países não tinham essa tributação”, explica.

Os números da própria ApexBrasil reforçam a importância do mercado europeu para a economia potiguar. Em 2025, o Rio Grande do Norte exportou US$ 1,12 bilhão em produtos para diversos países, dos quais US$ 242 milhões tiveram como destino a União Europeia. Entre os principais itens comercializados estão melões frescos, responsáveis por US$ 105 milhões; melancias, com US$ 56,2 milhões; mamões, que movimentaram US$ 21,7 milhões; além de óleos de petróleo (US$ 43,2 milhões), mangas e goiabas (US$ 4,7 milhões), banana (US$ 1,6 milhão) e granito cortado (US$ 1,2 milhão).

A mineração também aparece entre os segmentos com maior potencial de expansão. Embora o ouro potiguar tenha alcançado US$ 91,3 milhões em exportações no último ano, toda essa produção foi destinada ao Canadá. O estudo da ApexBrasil aponta, entretanto, oportunidades para ampliar as vendas à Europa, especialmente para mercados como a Itália.

Além do ouro, o painel identifica potencial para pedras preciosas e semipreciosas em 23 países, ferro em 15 mercados, caulim em 11, feldspato em dez e rubis, safiras e esmeraldas em seis países do bloco.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte (Sindiminerais-RN), Mário Tavares, o Estado também possui reservas com potencial exportador ainda pouco explorado.

“Além disso, há potencial no Estado para mandar para a União Europeia terras raras, molibdênio e quartzo. Estamos prestando importante papel na recepção de investidores, orientando para os principais locais com chances de exportação”, afirma.

Outro segmento contemplado pelo levantamento é o pescado, tradicional atividade econômica do litoral potiguar. A ApexBrasil identificou oportunidades para diferentes espécies de atum em mercados como Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Portugal e Romênia. O espadarte possui potencial na Áustria, Croácia e República Tcheca, enquanto a lagosta encontra demanda potencial na Dinamarca, Grécia e Romênia.

Por O Correio de Hoje

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