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O Tesouro dos EUA comprou ienes em troca de euros na sexta-feira, numa operação para sustentar a moeda japonesa que analistas classificaram como sem precedentes. O Ministério das Finanças do Japão confirmou nesta segunda-feira que a ação foi coordenada com o Departamento do Tesouro dos EUA. Nesta manhã, o iene era cotado a cerca de 157 por dólar, depois de valorizar quase 4% na semana passada.
Além de comprar ienes vendendo euros, o Tesouro americano interveio diretamente na cotação do euro em relação ao iene. Segundo apurações que circularam pelo Financial Times e pela Reuters, a operação americana somou-se à ação do Ministério das Finanças do Japão, que já havia intervido nos mercados na quinta-feira.
O iene chegou a rondar as mínimas de 40 anos, próximas a 164 por dólar, antes da onda de compras. Já o euro, que estava em 187,4 ienes na quinta-feira, caiu brevemente abaixo de 180 ienes nesta segunda-feira, uma variação de mais de 4%. Os movimentos acentuados desta segunda-feira foram potencialmente impulsionados pelas intervenções.
Por que vender euros e não dólares
O detalhe que chamou a atenção do mercado foi a escolha da moeda de intervenção. Analistas do HSBC descreveram a decisão do Tesouro americano de vender euros como 'uma medida altamente incomum, talvez sem precedentes'.
A leitura de especialistas é que Washington evitou vender dólares para não sinalizar interesse em enfraquecer a própria moeda. 'Considerando que, no momento, os EUA têm uma inflação acima da meta, um dólar mais fraco agora não é a melhor coisa para eles', afirmou Lee Hardman, do MUFG.
Em nota, analistas do Barclays reforçaram esse raciocínio: 'A escolha da moeda de intervenção pelo Tesouro dos EUA evita sinalizar um desejo de enfraquecimento generalizado do dólar, em nossa opinião, mantendo a operação restrita apenas ao iene'.
Volume da operação e recursos disponíveis
Na intervenção conjunta de sexta-feira, o Japão pode ter gasto até US$ 36,58 bilhões comprando ienes. Do lado americano, os EUA tinham cerca de 26 bilhões de euros disponíveis para a intervenção, recursos ligados à Conta de Mercado Aberto do Sistema e ao Fundo de Estabilização Cambial.
Os analistas do HSBC ponderaram que uma coordenação ainda mais ampla teria peso maior. 'Seria muito mais significativo se o BCE vendesse euros/ienes, pois isso pareceria um acordo cambial entre as principais economias para fortalecer o iene', avaliaram. Para eles, no entanto, 'esse seria um evento de baixa probabilidade, mas de alto impacto'.
A movimentação não ficou restrita ao eixo entre EUA e Japão. Na semana passada, a Coreia do Sul se coordenou com o Japão e atuou vendendo dólares e comprando won.
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