© REUTERS - Fausto Torrealba

Com a presença do secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, governo Delcy Rodríguez firma oito novos contratos com empresas estrangeiras. Presidente interina da Venezuela não confirma formalização de acordo com Washington.

Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela

Sob o olhar do secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, o governo venezuelano firmou, nesta quarta-feira (2), uma série de acordos com empresas estrangeiras para a exploração das reservas de petróleo do país, no que foi classificado pela presidente interina, Delcy Rodríguez, como um “dia histórico”.

Ao todo, oito documentos foram assinados. A norte-americana Chevron e a italiana ENI, que estão entre as companhias contempladas nas negociações, obtiveram contratos para operar em novos campos petrolíferos. Também foi firmado com a norte-americana General Electric um contrato para a recuperação do sistema elétrico. Há meses, diferentes regiões da Venezuela sofrem com apagões.

A cerimônia, realizada no Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano, ocorreu poucos dias depois do anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela, definido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, como o “maior acordo petrolífero da história do mundo”, em publicação na última sexta-feira (28).

Havia a expectativa de que o secretário de Energia do governo Trump desembarcasse em Caracas para formalizar o que havia sido anunciado na semana passada. No entanto, isso não ocorreu durante a cerimônia, o que aumentou as dúvidas em torno do que foi acertado entre os dois países.

Exploração de 17 campos petrolíferos

Questionada se a nova sociedade já havia sido assinada, Delcy Rodríguez se limitou a dizer que “este acordo teve duas partes, uma nos Estados Unidos e uma na Venezuela”, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta.

Christopher Wright, por sua vez, destacou o controle da Casa Branca sobre a operação. “A maioria dos diretores das empresas serão norte-americanos. Teremos controles muito rigorosos sobre o fluxo de recursos financeiros nos negócios e sobre a forma como as operações são conduzidas”.

No dia anterior, a Assembleia Nacional da Venezuela havia colocado em votação um projeto de “respaldo ao Convênio Energético Binacional” entre os dois países. Após uma divergência levantada pela oposição sobre a falta de clareza em torno do contrato, Jorge Rodríguez, presidente do parlamento e irmão de Delcy Rodríguez, afirmou que “o acordo binacional foi anunciado e ainda não foi formalizado por aqueles que devem fazê-lo, que são os dois governos”.

O entendimento entre os Estados Unidos e a Venezuela prevê a exploração de 17 campos petrolíferos, cujas reservas somadas chegam a 65 bilhões de barris de petróleo. A operação ficará a cargo da NABEP (North American Blue Energy Partners), do empresário venezuelano Alejandro Betancourt, que, segundo comunicado da Casa Branca, cedeu aos Estados Unidos 35% de participação societária na empresa. Washington poderá comprar 20% da produção a preço de custo e terá prioridade na compra dos outros 80%.

RFI