. Foto: Aimal Zahir/AFP
Ataques aéreos paquistaneses, nesta quinta-feira, 1º, contra duas cidades afegãs deixaram mortos e feridos. Mas enquanto Cabul reporta nove mulheres e crianças mortas, além de 11 feridos, todos civis, Islamabad diz que os bombardeios atingiram esconderijos e mataram 22 militantes, segundo “relatórios iniciais”.
A tensão entre os países vizinhos voltou a crescer no início deste ano com o retorno dos ataques aéreos do Paquistão contra o Afeganistão. As nações disputam devido a delimitação da fronteira compartilhada.
O porta-voz do governo talibã do Afeganistão, Zabihullah Mujahid, disse que os ataques aéreos atingiram casas de civis na província de Helmand, no sul do país, e na província de Kunar, no leste, destruindo três casas, matando nove mulheres e crianças e ferindo outros 11 civis.
“Consideramos isso um ato de agressão e um crime que viola todos os princípios universalmente aceitos”, disse ele em declaração condenando o ataque.
Já o ministério da Informação do Paquistão afirma que os ataques aéreos foram “bem planejados e calibrados” contra esconderijos e acampamentos de militantes e que foram “realizados no Afeganistão com precisão e exatidão”. Ainda segundo a pasta, grandes quantidades de armas e munições foram encontradas nos esconderijos e destruídas.
O Paquistão acusa o governo talibã do Afeganistão de permitir que militantes, particularmente o Talibã paquistanês, o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), operem a partir do território afegão e realizem ataques dentro do Paquistão.
O TTP é um grupo separado, mas aliado ao Talibã afegão, que governa o Afeganistão desde que assumiu o poder em 2021. Cabul nega fornecer refúgio ao grupo e rejeitou as acusações do Paquistão.
“O perigo para o Paquistão emana do Afeganistão”, afirma o ministério paquistanês. “Nossa ação teve como alvo preciso os centros terroristas.”
“Foram tomadas todas as precauções possíveis e garantimos que não houve danos colaterais”, acrescentou o comunicado. A campanha “continuará a todo vapor para eliminar” a ameaça militante do país, concluiu o comunicado.
Na semana passada, a missão das Nações Unidas no Afeganistão informou que, somente este ano, mais de 1,1 mil civis já foram mortos ou ficaram feridos devido ao conflito. /Com AFP e AP
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