REFERENDO DE NOVA CONSTRUÇÃO EGÍPCIA É APROVADO


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Destroços do lado de fora de um tribunal no Cairo, depois que um explosivo foi detonado no primeiro dia de votação do referendo sobre a nova Constituição. Ninguém ficou ferido.
Destroços do lado de fora de um tribunal no Cairo, depois que um explosivo foi detonado no primeiro dia de votação do referendo sobre a nova Constituição. Ninguém ficou ferido.  - Mohamed Abd El Ghany/Egito
O comitê eleitoral egípcio informou neste sábado que 98,1% dos cidadãos que foram às urnas esta semana aprovaram o referendo que institui uma nova Constituição no país. A votação ocorreu nos dias 14 e 15 de janeiro.
Esta foi a primeira votação no Egito após o golpe que derrubou o presidente Mohammed Mursi e a Irmandade Muçulmana do poder, em julho do ano passado. Autoridades consideram o resultado do referendo fundamental para legitimar o governo militar interino e levar adiante seu plano de realizar eleições parlamentares e presidencial.
De acordo com as autoridades eleitorais, 38,6% dos mais de 53 milhões de eleitores do país participaram do referendo que durou dois dias e foi marcado por protestos e confrontos violentos.
Os partidários de Mursi boicotaram a votação e alegaram que os números apresentados são forjados. A Irmandade Muçulmana prometeu manter os protestos contra os militares.
A aprovação anunciada neste domingo abre caminho para uma candidatura do comandante das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sisi, visto por apoiadores como um homem forte, capaz de restaurar a estabilidade em um país afundado em crises política e econômica há quase três anos. Estabilidade não alcançada desde a saída de Mursi, período em que muitos morreram em confrontos, milhares foram detidos e os atentados se multiplicaram.
Violência - No primeiro dia de votação, nove pessoas foram mortas em confrontos entre policiais e apoiadores da Irmandade Muçulmana, grupo radical islâmico que levou Mursi ao poder. Nesta quarta, houve mais protestos, inclusive perto do palácio presidencial, mas não houve registros de mortes. Segundo o Ministério do Interior, mais de 400 pessoas foram presas durante os dois dias de votação.
Boicote - A Irmandade Muçulmana, que não reconhece o governo interino, convocou um boicote à votação, que consideram parte do golpe contra o presidente eleito. Ao longo de oito décadas, os radicais acreditaram que seu sonho de um Estado governador pela sharia, a lei islâmica, se tornaria realidade. Quando a junta militar atendeu ao apelo da população e depôs Mursi, o sonho foi frustrado. E os protestos dos simpatizantes da Irmandade tornaram-se quase diários. Houve massacre de manifestantes, lideranças do grupo foram presas – assim como Mursi, preso no dia do golpe – e o governo declarou a Irmandade uma organização terrorista.
Durante o governo Mursi, uma Constituição foi aprovada em apenas um dia por uma assembleia dominada por radicais islâmicos depois que os parlamentares seculares se retiraram das sessões em protestos contra a supressão de artigos essenciais, como o que dava às mulheres os mesmos direitos dos homens. A Constituição foi referendada em votação com baixo comparecimento às urnas – apenas 33% do eleitorado. Este texto foi revogado no mesmo dia em que Mursi foi obrigado a deixar a Presidência.
O novo texto retira a linguagem islâmica incluída na carta anterior e reforça os órgãos do governo que derrotaram o ex-presidente: o Exército, a polícia e o Judiciário. O governo interino prometeu realizar eleições legislativas e presidencial depois da realização do referendo. 

FONTE:http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/referendo-de-nova-constituicao-egipcia-e-aprovado

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