Fonte: Tribuna do Norte
Os bebês que nascem nas maternidades públicas de Natal estão saindo do hospital sem a vacina de Hepatite “B”, que está com o estoque zerado em todas as unidades de saúde do município desde o começo do ano. Segundo a Coordenação Epidemiológica do Município de Natal, além dessa, a vacina que previne a Tuberculose, conhecida como BCG - obrigatória para recém-nascidos – está com a quantidade suficiente apenas para as próximas semanas. Na rede privada, as vacinas custam, em média, R$ 120,00. De acordo com a Coordenação Epidemiológica do Município de Natal, as vacinas fazem parte do grupo de 21.674 mil pedidos de cinco tipos de doses solicitadas para janeiro deste ano, que não tiveram o envio autorizado pelo Ministério da Saúde à capital potiguar. A coordenadora de Vigilância Epidemiológica de Natal, Aline Bezerra, alerta que o desabastecimento pode atingir seis maternidades de Natal caso o problema não seja resolvido até o final do mês.
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica esclareceu que um dos fatores que geram a carência das vacinas é a crise financeira que vive o país. “Iniciamos 2016 com uma dificuldade de aquisição da BCG, recebíamos em média 4 mil doses e passamos a receber 800. Diante da dificuldade, priorizamos as crianças de famílias que residem em Natal. Soubemos que está faltando matéria-prima para produção, mas no caso de outras vacinas, sabemos que falta verba para pagar os laboratórios”, disse ela.
Em 28 de dezembro de 2015, a Secretaria de Saúde de Saúde do Município fez o pedido de 21 mil e 674 vacinas contra Hepatite “B”, BCG, Varicela, Tríplice Viral, diluente para a mesma vacina e Hepatite “A”, mas até a manhã desta quinta-feira (07), o envio não tinha sido autorizado pelo Ministério da Saúde.
Somente contra Hepatite “B”, aplicada junto à BCG antes dos bebês saírem das maternidades, 14 mil pedidos foram feitos, porém nenhum deles foi atendido. Outro tipo de vacina que foi solicitada ao Ministério e que está com o estoque zerado nas maternidades é a que previne Hepatite “A”, aplicada em crianças de 1 ano.
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica do município, também destacou que desde setembro do ano passado, a vacina Tetraviral, que imuniza os bebês contra Sarampo, Rubéola, Caxumba e Catapora, e deve ser aplicada em crianças de 1 ano e 3 meses, estava em falta. Para suprir a carência, o Ministério da Saúde orientou que no lugar da Tetraviral, fosse aplicada a Tríplice junto à Varicela. No entanto, as 2.020 das duas que foram pedidas para o mês de janeiro não foram autorizadas.
Caso o envio das vacinas contra Hepatite “B” e Tuberculose (BCG) são sejam enviados, seis unidades de saúde seriam afetadas em Natal. O Hospital e Maternidade da Mulher Leide Morais e Santa Catarina, na zona norte, a Maternidade escola januário cicco, em zona leste, Maternidade e Unidade Mista Felipe Camarão e Maternidade das Quintas, localizados na zona oeste. Em 2015, nasceram em média 554 bebês vivos no total dos hospitais citados.
A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte explicou que o pedido mensal referente a janeiro, que deve abastecer seis unidades regionais de saúde - São José de Mipibu, Mossoró, João Câmara, Caicó, Santa Cruz e Pau dos Ferros - e a Grande Natal, foi feito mas não foi recebido ainda. O Coordenador estadual de imunizações, Fernando Jackson disse não ter como como repassar se haverá falta de alguma vacina este mês. “O pedido foi feito em 16 de dezembro, ainda estamos aguardando uma resposta”, afirmou.
Vacinas obrigatórias BCG - contra a tuberculose
É obrigatória para recém-nascidos. Deve tomar em apenas uma dose ao nascer, ainda na maternidade
Tríplice Viral (SRC) - contra sarampo, rubeóla e caxumba
Uma dose aos 12 meses de vida; duas doses dos 10 aos 19 anos ; e uma dose até 49 anos
Tetraviral - Sarampo, Rubéola, Caxumba e Catapora
Uma dose aos 15 meses de vida
Hepatite “A” - proteção contra Hepatite B, doença causada por vírus.
Dose única - Crianças aos 15 meses de vida
Hepatite “B” - proteção contra Hepatite B, doença causada por vírus. Pode levar a uma infecção crônica (permanente) do fígado e, na idade adulta, levar ao câncer de fígado
Todas as crianças devem tomar. A primeira dose, ainda na maternidade. Completa com a Pentavalente, sendo uma dose aos dois meses; uma no quatro mês de vida e a última, aos seis meses.
MS garante regularizar estoques até final de fevereiroEm nota informativa enviada em dezembro de 2015 ao município de Natal, a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI) justificou que não foi feito envio da vacina contra Hepatite “A” e “B” devido à indisponibilidade de estoque e atraso na entrega pelo Instituto Butantan, desde o mês de agosto, totalizando 17 milhões de doses para todo o país. As doses de Varicela monovalente ainda aguardava trâmites administrativos para posterior análise e envio aos estados.
Em nota enviada à TRIBUNA DO NORTE, o Ministério da Saúde esclareceu que até final de fevereiro a distribuição começa ser normalizada. A carência das vacinas foi justificada pela indisponibilidade de algumas nos mercados nacional e internacional. Na nota, o Ministério da Saúde explicou que está orientando os gestores locais à otimizarem o uso das doses para minimizar perdas, e agendarem a aplicação das vacinas.
“Frascos de vacinas como a BCG, Febre Amarela e contra Raiva Humana, são suficientes para proteger de 10 a 25 pessoas. No caso da BGC e febre Amarela, por exemplo, um frasco é suficiente para vacinar 10 crianças, sendo que, depois de aberto, a duração é seis horas. O frasco da vacina contra a Raiva Humana é suficiente para a proteção de 25 pessoas”, explica o Ministério em nota.
Sobre a vacina de Hepatite “A” infantil, a pasta afirmou ter recebido no país cerca de 3 milhões de doses dessa vacina, mas que aguardavam a liberação do termo de guarda conforme protocolo da Anvisa. Sobre a Hepatite “B”, a situação deverá estar normalizada até final de fevereiro. Sobre a Tetraviral , o Ministério disse ter enviado em novembro, aos estados, 91 mil doses. O Ministério da Saúde já adquiriu 200 mil doses que aguardam liberação. No mês de dezembro, o Ministério da Saúde enviou aos estados, 949 mil doses da vacina BCG. Segundo o Ministério da Saúde, a situação, nesse caso, está normalizada.

0 Comentários