Foto: TV Globo / Reprodução
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou nesta quarta-feira (26), em Lisboa, em Portugal, que o STF nĂŁo estĂĄ invadindo uma competĂȘncia do Congresso Nacional ao decidir sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal.
Nesta terça-feira (25), após a decisão da corte, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que discorda da decisão do Supremo.
Para o senador, que Ă© autor de uma Proposta de Emenda Ă Constituição (PEC) que proĂbe o porte de qualquer tipo de droga, a descriminalização via decisĂŁo judicial Ă© uma “invasĂŁo Ă competĂȘncia” do Legislativo.
“Eu discordo da decisĂŁo do Supremo Tribunal Federal [sobre descriminalização]. Eu considero que uma descriminalização sĂł pode se dar atravĂ©s do processo legislativo e nĂŁo por uma decisĂŁo judicial. HĂĄ um caminho prĂłprio para se percorrer nessa discussĂŁo, que Ă© o processo legislativo”, declarou o parlamentar.
Em Lisboa, Gilmar e outros ministros, alĂ©m de parlamentares e empresĂĄrios, estĂŁo reunidos para um fĂłrum jurĂdico.
Mendes disse ainda que a decisĂŁo do Supremo foi um entendimento “muito racional, muito moderado”. “Se trata apenas de separar o traficante do que Ă© apenas usuĂĄrio”.
“NĂŁo se trata de uma liberação geral para recreio ou algo do tipo, Ă© enfrentar droga como doença mesmo, que precisa de tratamento. Ă antes de tudo um problema de saĂșde”, afirmou o ministro.
Mendes disse que hĂĄ uma recomendação para que o Sistema Ănico de SaĂșde (SUS) se habilite para tratar as pessoas e que “em alguns casos se admite atĂ© a internação compulsĂłria como no modelo portuguĂȘs”.
Lira diz que PEC das Drogas ‘nĂŁo vai ser ‘acelerada nem retardada’
Ao ser questionado sobre a PEC das Drogas, como estå sendo chamada a proposta de Pacheco, o presidente da Cùmara, Arthur Lira, afirmou que a PEC não terå a tramitação acelerada e nem retardada.
“Ela [a PEC] nem serĂĄ apressada nem serĂĄ retardada. Como eu sempre falei, ela terĂĄ um trĂąmite normal no aspecto legislativo para que o parlamento possa se debruçar ou nĂŁo sobre esse assunto que veio originalmente do Senado federal”, afirmou Lira.
Lira disse ainda que “nĂŁo existe consenso para nada na polĂtica”, mas que avalia que “uma maioria” hoje se coloca razoavelmente favorĂĄvel ao texto da PEC.
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