CCJ vota PEC que prevĂȘ o fim da escala 6x1 nesta quarta (22)


 Kayo MagalhĂŁes / CĂąmara dos Deputados

CCJ (ComissĂŁo de Constituição e Justiça) da CĂąmara vota nesta quarta-feira (22) o relatĂłrio sobre o fim da escala 6x1. A PEC 8/2025, que trata do tema, jĂĄ conta com parecer favorĂĄvel do relator, Paulo Azi (UniĂŁo-BA), apresentado na semana passada. A votação, no entanto, foi adiada apĂłs pedido de vista.

O texto sugere uma redução na jornada de trabalho semanal sem alteração nos salĂĄrios dos trabalhadores. O documento agrupa dois projetos. Um da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que determina a redução para 4 dias de trabalho por semana e 3 de descanso em uma jornada de 36 horas semanais. O outro do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) fala somente em uma redução da jornada para 36 horas semanais.

expectativa do governo e de deputados do centrĂŁo Ă© de aprovação do texto nesta quarta. Para avançar na CCJ, a PEC exige maioria simples, com quĂłrum mĂ­nimo de 34 deputados. Com isso, o prĂłximo passo Ă© levar a proposta para uma comissĂŁo especial que serĂĄ responsĂĄvel por discutir o mĂ©rito da proposta.

O relator foi favorĂĄvel Ă  admissibilidade da PEC, ou seja, a legitimidade do projeto junto Ă  Constituição. Azi, no entanto, deixou claro que Ă© preciso que a comissĂŁo especial faça ajustes. Ele disse que vai recomendar no relatĂłrio uma redução para que a jornada semanal seja de 5x2 e usou a proposta do prĂłprio governo para justificar esse argumento.

“O prĂłprio governo e as prĂłprias centrais sindicais sinalizaram para uma proposta intermediĂĄria, que seria a redução da jornada para 40 horas e a adoção da escala 5x2. Esse Ă© o primeiro ponto que nĂłs vamos indicar como sendo um objeto de avaliação da comissĂŁo especial", disse o relator.

A votação estava marcada para acontecer na Ășltima quarta, mas foi adiada por um pedido de vista de Lucas Redecker (PSDB-RS) e Bia Kicis (PL-DF) 15. Por isso, foi necessĂĄrio cumprir o prazo de duas sessĂ”es de plenĂĄrio para retomar a pauta.

Projeto do governo

governo enviou um PL (Projeto de Lei) na semana passada sugerindo justamente uma jornada de trabalho de 5x2 e 40 horas por semana. A ideia do executivo era acelerar a tramitação, ter maior facilidade na aprovação e retomar o protagonismo sobre o tema em um ano eleitoral.

A votação da proposta gera expectativa no governo especialmente pela popularidade da pauta. O Planalto começou a apoiar o texto no segundo semestre de 2025. A base governista entende que a aprovação do fim da 6x1 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha atĂ© R$ 5.000 no final do ano passado sĂŁo duas pautas que dĂŁo lastro para que o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva (PT) tente a reeleição ao quarto mandato.

Para ser aprovada em forma de PEC, o texto demanda o apoio de ao menos trĂȘs quintos dos deputados (308 votos). JĂĄ um PL exige apenas maioria simples para aprovação (257 votos).

A PEC entrou nos holofotes do Congresso depois que o presidente da CĂąmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), abraçou a pauta e decidiu dar encaminhamento. O parlamentar tem enfatizado a importĂąncia da pauta para a "classe trabalhadora" e sinalizado pressa na tramitação.

O objetivo do congressista é aprovar o texto ainda no primeiro semestre, realizando a votação até o final de maio no plenårio.

Hugo teve encontros recentes com integrantes do governo para discutir os detalhes da proposta. Na Ășltima sexta (17), ele se reuniu com o ministro da SRI (Secretaria RelaçÔes Institucionais), JosĂ© GuimarĂŁes.

Nenhum dos dois se pronunciou depois do encontro, mas a relação jå havia sido colocada à prova depois do envio do PL pelo Executivo. Guimarães era líder do governo na Cùmara quando Hugo anunciou um acordo com o Planalto para tramitar somente a PEC. Em coletiva, o presidente da Casa chegou a dizer que o governo não enviaria nenhuma proposta alternativa. Isso não foi cumprido.

O texto do governo foi enviado em regime de urgĂȘncia para acelerar a votação. Com isso, a proposta deve ser votada em atĂ© 45 dias na CĂąmara. O objetivo de Hugo Ă© terminar a tramitação da PEC antes disso.

Agora, Hugo encostou o PL do governo e vai manter a celeridade na aprovação da PEC. Ele disse que definirå o relator do texto na comissão especial depois da aprovação na CCJ. O presidente da Casa manifestou o interesse em ter um nome do centrão que seja a favor da proposta.

CNN

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