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sábado, 4 de abril de 2026

Energia eólica offshore deve ampliar empregos e competitividade no RN


 Foto: Divulgação

A expansão da energia eólica offshore no Brasil deve gerar novas oportunidades de emprego e ampliar a competitividade energética, especialmente no Rio Grande do Norte, segundo o diretor do Senai-RN e da Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais (Faeti), Rodrigo Mello. Em entrevista ao programa Formação Potiguar, da TV Agora RN, ele destacou o potencial do estado e a necessidade de formação de mão de obra qualificada para atender à nova demanda.

“Energia eólica offshore nada mais é do que a produção de energia a partir da fonte eólica com suas estruturas instaladas no ambiente offshore, que é no ambiente marinho”, explicou. Ele comparou com os parques já existentes em terra: “Nós estamos muito acostumados, quem viaja aqui pelo interior do Rio Grande do Norte, enxergar aquelas estruturas, aqueles grandes aerogeradores em terra, é o que a gente chama de onshore. Offshore são aqueles tipos de equipamento, porém, instalados no ambiente marinho por uma série de condições naturais”.

Segundo Rodrigo Mello, o ambiente marítimo oferece vantagens técnicas. “Imagine agora que você está num ambiente marinho, com uma rugosidade muito menor e num ambiente praticamente plano. Isso faz com que o vento tenha a sua constância e sua velocidade otimizada para ser transformada em energia”, afirmou. Ele ressaltou o aumento da capacidade dos equipamentos: “Os grandes aerogeradores de terra têm capacidade de cerca de 6 megawatts de potência. Os que estão sendo instalados no mundo, nesse momento, no mar, são equipamentos com capacidade de 15, 18 e se fala já em 20, 21 megawatts de potência”.

O diretor também destacou a competitividade da fonte. “Hoje nós podemos dizer com muita segurança que essa é uma energia extremamente competitiva”, disse. Para ele, o Brasil, especialmente o Rio Grande do Norte, reúne condições favoráveis: “Nós temos a condição de gerar energia limpa, renovável e mais competitiva no mundo”.

Sobre a implantação do setor, Rodrigo Mello apontou duas etapas principais: tecnologia e formação de pessoas. “A primeira é a tecnologia. Precisamos conhecer o desempenho desses equipamentos, fazer o devido ajuste e conhecer como se comporta o recurso eólico”, afirmou. Em seguida, destacou a qualificação: “Qualquer setor industrial competitivo precisa de pessoas qualificadas para tocar o seu ambiente de produção”.

Nesse contexto, ele citou a atuação do Senai e da Faeti na formação profissional. “A Faeti tem a pretensão de trazer a formação de profissionais de nível superior […] com foco na operação industrial propriamente dita”, disse. Segundo ele, a proposta é reduzir o tempo de adaptação dos recém-formados ao mercado: “A ideia da faculdade é, durante o curso, dar mais vida prática para que [o profissional] tenha capacidade de assumir a operação prática no menor espaço de tempo”.

Ele também destacou a criação de cursos inéditos voltados ao setor offshore. “No Brasil nunca se formou o profissional para trabalhar no ambiente offshore, na geração da energia. Nós estamos com a primeira turma de pós-graduação em energia eólica para o ambiente offshore”, afirmou. Ele acrescentou que há iniciativas para outros perfis: “Estamos fazendo também a primeira turma voltada a profissionais não engenheiros”.

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Rodrigo Mello, do Senai, destaca potencial do RN na energia eólica offshore – Foto: Luzia Cavalcanti/Agora RN

O diretor ressaltou a importância da formação prática diante da complexidade tecnológica. “Não há como se garantir alto desempenho se não for pela qualificação”, disse. Segundo ele, a construção dos cursos é feita em parceria com a indústria: “Tem um caminho estratégico baseado na demanda da indústria”.

A expectativa é de alta empregabilidade. “O setor da energia paga, em média, um salário de cerca de 5 vezes o salário médio da indústria brasileira”, afirmou. Ele também citou a demanda futura: “A Associação Brasileira de Energia Eólica sugere que no ambiente offshore se exige cerca de mais de 10 vezes o número de pessoas”.

Sobre o potencial do RN, Rodrigo Mello afirmou que o litoral potiguar reúne condições naturais favoráveis. “Nós temos a melhor condição de mar, um mar raso, estável, com vento constante, sem rajadas”, disse. O diretor orientou os profissionais interessados. “Se qualifique. O setor industrial está com demanda alta para contratar profissionais, mas não querem contratar apenas profissionais, querem contratar profissionais qualificados”, afirmou.

Faeti

A Faeti é a primeira faculdade do Brasil com foco em energias renováveis e marca a expansão das ações do Senai-RN para o setor no País. A instituição funciona em Natal, capital do Rio Grande do Norte, estado que lidera a geração brasileira de energia eólica e sedia os Centros de referência do Senai para formação profissional, inovação e pesquisa aplicada voltadas à atividade.

A portaria de credenciamento da Faculdade foi publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto de 2023. Antes, avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério, destacou “o planejamento do SENAI para trabalhar com responsabilidade social e seus temas, bem como para o desenvolvimento socioeconômico” e mencionou a Faculdade como “projeto organizado para melhorar as condições de vida da população”.

Conclusões sobre a infraestrutura em que está inserida também chamam a atenção para “inúmeros recursos tecnológicos inovadores”, em menção a laboratórios disponíveis e chamados de “altamente diferenciados para aulas práticas”. No corpo docente, mestres e doutores em diversas áreas estão em campo. O ingresso da primeira turma de Engenharia Mecânica ocorreu em março de 2024.

Mais informações sobre a faculdade estão disponíveis no site faeti.rn.senai.br. A Faeti fica localizada na Av. Capitão-Mor Gouveia, 2770 – Lagoa Nova, em frente à Ceasa.
Agora RN 

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