RN lidera crescimento do turismo internacional no Brasil em 2026


 Foto: Alex Régis

O Rio Grande do Norte registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior crescimento proporcional de turistas estrangeiros entre os estados brasileiros. De acordo com dados da Embratur, do Ministério do Turismo e da Polícia Federal, o fluxo internacional avançou 159,13% no período, saltando de 10.362 visitantes nos três primeiros meses de 2025 para 26.851 neste ano. O mês de março concentrou o melhor desempenho da série histórica, com alta de 239,21%. O resultado reflete, sobretudo, a ampliação da malha aérea internacional com destino a Natal.

Em 2026, o estado passou a contar com três novas ligações diretas com o exterior, além de uma expansão prevista de 278% na oferta de assentos internacionais ao longo do ano. A Argentina lidera como principal mercado emissor, seguida pelo Chile, enquanto o fluxo europeu também vem crescendo, especialmente via conexões com Lisboa. Para o presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), Raoni Fernandes, o avanço é fruto de uma estratégia estruturada. Segundo ele, o crescimento está sustentado em três pilares: posicionamento de marca, conectividade aérea e promoção internacional. “Hoje trabalhamos o destino com uma perspectiva mais sustentável, com experiências exclusivas e uma infraestrutura acolhedora. Isso fortalece a imagem do estado no exterior”, afirmou.


Na avaliação do gestor, a política de incentivo à aviação foi determinante para o salto. “Houve prioridade na atração de novos voos a partir da política de ICMS do combustível de aviação, o que resultou em um crescimento superior a 200% na oferta internacional, a maior da história do RN”, destacou. Ele acrescentou que o trabalho de promoção tem sido ampliado com base em inteligência de mercado e parcerias estratégicas, alcançando simultaneamente os principais países emissores.

O impacto econômico já é percebido no setor produtivo. De acordo com o coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN, George Costa, o visitante estrangeiro tem alto poder de consumo e permanece mais tempo no destino. “Esse turista gasta em torno de R$ 500 por dia e costuma ficar pelo menos sete noites, o que representa uma injeção forte na hotelaria, bares, restaurantes, passeios e na economia criativa”, explicou.


Apesar do cenário positivo, o crescimento ainda exige ajustes para se sustentar no prazo. Entre os desafios estão a necessidade de qualificação contínua da mão de obra, a ampliação da promoção turística e, principalmente, a atração de novos investimentos privados. “Nosso principal gargalo hoje é a falta de novos empreendimentos, impactada por insegurança jurídica e dificuldades no ambiente de negócios”, afirmou Costa.


A perspectiva, no entanto, segue otimista. Além do turismo internacional, a expectativa é de crescimento também no fluxo doméstico, impulsionado pelo aumento da oferta de voos nacionais, com previsão de oferta de mais 500 mil assentos até o fim do ano, e pela visibilidade recente do estado na mídia, com produções televisivas e eventos esportivos de alcance nacional e internacional.

Com a combinação de conectividade ampliada e estratégias de promoção, o Rio Grande do Norte entra em 2026 consolidando um novo momento no turismo, com potencial de expansão, mas ainda depende de avanços estruturais para manter o ritmo de crescimento.

Crescimento pressiona por novos investimentos


O avanço expressivo do turismo internacional no Rio Grande do Norte também acende alerta para a necessidade de modernização e expansão da estrutura turística. Embora o estado tenha capacidade instalada para absorver o aumento da demanda, o setor aponta limites para sustentar o crescimento sem novos aportes.

Segundo George Costa, a base de atendimento ao turista estrangeiro, especialmente latino-americano, já está consolidada. “É um mercado que Natal atende há muitos anos, então temos uma estrutura preparada, mas a qualificação precisa ser constante, porque o perfil do visitante muda e exige atualização”, afirmou. Ele destaca o papel de instituições do Sistema S na formação profissional, especialmente nas áreas de hotelaria e gastronomia.


O principal entrave, porém, está na dificuldade de atrair novos investimentos. De acordo com o representante da Fecomércio, fatores como insegurança jurídica e restrições no ambiente de negócios têm afastado empreendedores. “A falta de novos empreendimentos, especialmente na Via Costeira e em polos como Pipa e o litoral norte, limita o potencial de crescimento”, disse.


Outro fator apontado é o custo elevado do crédito, que dificulta reformas e modernizações na rede hoteleira existente. “Os juros altos prejudicam a renovação de equipamentos e a ampliação da oferta”, acrescentou.

Além disso, o estado ainda enfrenta forte concorrência de outros destinos do Nordeste, que investem mais intensamente em promoção turística. “Apesar dos avanços recentes, ainda estamos abaixo de outros estados nesse quesito, o que pesa na disputa por turistas”, avaliou.

Tribuna do Norte

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