Motorista ligado a Daniel Vorcaro informou visita ao gabinete de Benes Leocádio; caso teve repercussão nacional e dividiu a cobertura no RN
O nome do deputado federal Benes Leocádio (União Brasil-RN) apareceu entre os parlamentares citados em registros de acesso da Câmara dos Deputados envolvendo Sidney Santos, conhecido como "Kiko", motorista que trabalhou para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os registros, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgados inicialmente pela coluna da jornalista Andreza Matais, no Metrópoles, mostram que Sidney Santos esteve pelo menos quatro vezes na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2024, informando como destino os gabinetes dos deputados Geraldo Mendes (União-PR), Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS).
Segundo os registros, a visita ao gabinete de Benes Leocádio foi informada na portaria da Câmara no dia 8 de fevereiro de 2024, às 9h.
Sidney Santos ganhou notoriedade após ser citado em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas relacionadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Embora seu nome apareça na investigação como responsável por transportar documentos entre Daniel Vorcaro e o senador, Sidney não é investigado.
Na decisão, o ministro relata que Vorcaro teria determinado que o motorista levasse e buscasse rascunhos de projetos de lei relacionados ao mercado de créditos de carbono, tema de interesse empresarial do grupo da família Vorcaro.
Ao ser procurado anteriormente pela imprensa, Sidney limitou-se a responder: "Eu quero é distância desse povo, tá bom?", encerrando a conversa em seguida.
Benes nega qualquer encontro
Após a divulgação da informação, Benes Leocádio afirmou que nunca teve contato, reunião ou conhecimento sobre Sidney Santos.
O parlamentar também declarou que não estava em Brasília na data registrada, apresentando comprovantes de viagem, e ressaltou que não existe qualquer registro de entrada ou atendimento em seu gabinete, observando que informar um destino na portaria da Câmara não comprova que uma reunião tenha ocorrido.
Até o momento, não há investigação envolvendo Benes Leocádio, nem qualquer elemento público que indique que a visita registrada tenha resultado em encontro entre o deputado e o motorista.
Repercussão nacional e silêncio de parte da imprensa local
O episódio ganhou espaço em veículos de comunicação de alcance nacional e passou a integrar o debate político em Brasília. No entanto, no Rio Grande do Norte, chamou atenção a pouca repercussão do assunto em parte da imprensa local, especialmente em veículos que costumam acompanhar diariamente a atuação política do deputado.
Independentemente da versão apresentada por Benes Leocádio — que deve ser registrada e respeitada —, o fato de seu nome constar nos registros oficiais da Câmara dos Deputados tornou-se notícia de interesse público e foi tratado como tal por veículos nacionais.
O debate sobre a diferença de cobertura entre a imprensa nacional e parte da mídia potiguar reacende discussões sobre critérios editoriais, equilíbrio jornalístico e o dever de informar quando fatos de interesse público envolvem figuras políticas do Estado.
Fontes: Blog do Dina e Metrópoles.

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