Safra do melão deve movimentar R$ 1,42 bi no RN, estima Codern


 Foto: Alex Régis

Fernando Azevêdo
Repórter

A safra do melão potiguar 2026/2027 deve movimentar R$ 1,42 bilhão volume de negócios a partir do embarque de cerca de 250 mil toneladas de frutas pelo Porto de Natal para o mercado externo, segundo estimativa da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). A projeção representa um crescimento de 4,4% na movimentação financeira em relação à safra anterior, que movimentou R$ 1,36 bilhão e 240 mil toneladas.

A primeira embarcação deste ciclo partiu em direção à Europa na última sexta-feira (14). O navio Baltic Performer atracou no terminal potiguar em 10 de agosto e deixou o terminal na sexta com destino aos portos de Dover, no Reino Unido, e Roterdã, na Holanda. O navio transportou cerca de 5 mil toneladas de frutas, segundo a Codern.

Dados levantados pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec-RN) apontam que, de janeiro a junho, o RN movimentou US$ 51,4 milhões nas exportações de melões, número que compreende o período de encerramento da safra 2025/2026 e de entressafra, quando ocorre uma redução dos embarques. O ano de 2025 teve crescimento de 16,2% em relação a 2024 na movimentação pela exportação da fruta.

“Em um cenário otimista, espera-se que o percentual de crescimento se perpetue nas safras seguintes”, diz a Sedec-RN. O otimismo é compartilhado por outras entidades no setor da fruticultura.

Os principais destinos das frutas embarcadas pelo Porto de Natal estão concentrados na Europa, incluindo o Reino Unido, diz a Codern. Segundo a Sedec-RN, Espanha, Países Baixos e Reino Unido responderam por cerca de 94% de todo o valor exportado pelo estado no primeiro semestre deste ano.

“O Porto de Natal possui posição estratégica nessa cadeia logística: estima-se que cerca de 70% do melão e da melancia consumidos no mercado europeu, considerando também a Grã-Bretanha, sejam provenientes das cargas embarcadas pelo terminal potiguar”, informa a Companhia Docas.

Carlo Porro, fundador e CEO da Agrícola Famosa, maior exportadora do estado, projeta que esta safra deve começar “bem melhor que a safra do ano passado”. Em 2025, as exportações competiram com a produção da Espanha.

Segundo ele, em 2026, o calor extremo na Europa prejudicou a qualidade do melão produzido na Espanha, e a safra do país europeu está acabando. Com menos concorrência em termos de produção e qualidade, a expectativa é de que o melão potiguar tenha um bom preço. Em termos comerciais, o início de safra é positivo também porque a Agrícola Famosa registrou boa produtividade. Ainda não é possível traçar uma estimativa de movimentação financeira na empresa, segundo o CEO, porque isso depende do câmbio.

Apesar disso, a expectativa é de que a companhia aumente o seu faturamento tanto no mercado externo como no interno, onde pretende apostar em produtos de maior qualidade. “Por conta dessa ação no mercado interno, acredito que o nosso faturamento no mercado interno deve subir e estou otimista em relação a este ano”, afirma Carlo Porro.

A Agrícola Famosa mantém a área plantada na última safra, com produção de melões e melancias. São cerca de 13 mil hectares. A empresa tem mais de 65% do market share da fruta brasileira que chega na Europa, afirma Carlo Porro. A meta para a safra 2026/2027 é consolidar essa participação, chegar mais ao Canadá e manter ou elevar a exportação nos Estados Unidos – apesar do tarifaço.

Na avaliação da Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern), a safra 2026/2027 começa com uma perspectiva positiva, sustentada pelo bom desempenho comercial da safra anterior e pela expectativa de demanda firme no mercado externo.

“Segundo análises do Hortifruti/Cepea, a redução da oferta em países concorrentes da América Central pode abrir espaço adicional para o melão brasileiro, sobretudo no mercado europeu”, explica a entidade, para a qual a expectativa é de manutenção ou crescimento do desempenho da safra anterior.

A fruticultura do RN enfrenta um triplo desafio para expandir a produção e manter a competitividade do melão potiguar no exterior, avalia a Faern: a garantia da segurança hídrica, gargalos na logística de escoamento e a alta dos custos de produção.

Cautela
A expectativa do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex-RN), porém, é de “extrema cautela”, segundo o presidente da entidade, Fábio Queiroga. O foco do setor é manter a atividade, não expandir. “Estamos em um ano político que traz grande risco para a economia, sem uma sinalização segura e estável para o câmbio frente ao dólar e ao euro”, diz Fábio Queiroga.

Além disso, ele cita desafios no mercado consumidor, como dificuldade para exportar aos Estados Unidos devido ao tarifaço e “receio real entre os produtores de uma retração no mercado europeu, motivada pela queda no consumo de frutas associada ao uso disseminado de medicamentos para redução de peso”.

A projeção do Coex-RN é conservadora, visando antes a sobrevivência das margens do que o crescimento de volume. Para Fábio Queiroga, os números de movimentação da safra anterior não servem como base para este ano. “Os insumos básicos, que hoje compõem mais de 60% do nosso custo de produção, sofreram reajustes drásticos induzidos pela guerra no Oriente Médio”, explica.

Tribuna do Norte

Postar um comentário

0 Comentários