Juan BARRETO
O Parlamento da Venezuela começou nesta terça-feira (2) a discutir uma reforma que abre as portas ao capital privado para recuperar o sistema elétrico, controlado pelo Estado.
Há duas décadas, boa parte do país sofre com o racionamento de energia. "O projeto de lei busca abrir e se colocar na vanguarda como referência nacional e internacional para os investidores privados, para os investidores mistos com a participação ativa e protagonista do governo bolivariano", disse o deputado Orlando Miranda, ao apresentar a proposta.
O Legislativo discute a iniciativa após a presidente interina Delcy Rodríguez aprovar reformas importantes nas leis de hidrocarbonetos e mineração. O projeto passou hoje por uma primeira discussão na Assembleia Nacional, mas precisa ser aprovado em uma nova sessão.
A proposta contempla as figuras de empresa mista com mais de 50% de participação estatal, outras com participação minoritária do Estado, e empresas privadas sediadas na Venezuela.
O parlamentar opositor Ezio Angelini ressaltou que "o centralismo e a corrupção" levaram o país, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, ao colapso de seu sistema elétrico.
"O que temos hoje é uma Venezuela apagada, infelizmente", disse Angelini, representante do estado de Zulia, berço petroleiro do país, onde o racionamento de energia começou em 2009.
No mês passado, Delcy disse que dialogava com as multinacionais Siemens e General Electric para solucionar os problemas energéticos do país, que viveu na última década uma crise econômica grave, com apagões que chegam a durar oito horas por dia. Antes livre dos cortes, Caracas também foi afetada nos últimos meses.
Durante o governo do presidente Hugo Chávez (1999-2013), o serviço elétrico ficou sob o "domínio do Estado", com a criação da Corporação Elétrica Nacional. A nacionalização do setor deixou de fora 14 empresas de energia, algumas delas operadas com capital estrangeiro.
Antes da ascensão do chavismo, em 1999, a Venezuela produzia 20.000 megawatts e consumia cerca de 12.000. "Atualmente, produzimos 12.000 megawatts e consumimos 14.000", afirmou.
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