Acordo entre EUA e Arábia Saudita amplia temores em Israel sobre corrida nuclear no Oriente Médio


 Foto: KEVIN DIETSCH /Getty Images via AFP

TEL-AVIV - O acordo entre os EUA e a Arábia Saudita para desenvolver um programa nuclear civil gerou preocupação em Israel, com críticos afirmando que isso poderia levar a uma corrida regional pela energia nuclear e até mesmo ao desenvolvimento de uma bomba.

O acordo, divulgado inicialmente na terça-feira, poderá permitir que a Arábia Saudita enriqueça seu próprio combustível para reatores nucleares. Ele surpreendeu muitos em Israel, que possui seu próprio programa secreto de armas nucleares.

A Arábia Saudita há muito tempo pressiona para ter acesso à tecnologia nuclear dos EUA, mas Israel esperava que um acordo fosse condicionado à abertura de suas relações diplomáticas com o reino.

Ex- funcionários do governo israelense e analistas afirmaram que, na melhor das hipóteses, o acordo prejudicaria a possibilidade de normalização das relações com a Arábia Saudita. Na pior das hipóteses, argumentaram alguns, poderia incentivar mais países do Oriente Médio a desenvolverem seus próprios programas nucleares.

O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se pronunciou de imediato. Pelo menos um ministro do governo israelense tentou rebater as críticas públicas, argumentando que o país poderia conviver com um programa nuclear saudita para fins civis.

“Se eles quiserem para fins pacíficos, para atender às necessidades energéticas, podemos lidar com isso”, disse Nir Barkat, ministro da Economia de Israel, o mais alto funcionário do governo a comentar o assunto até o momento, em uma entrevista de rádio na quarta-feira.

Ele acrescentou que a normalização das relações com a Arábia Saudita “ainda está em cima da mesa” e Netanyahu e Trump “não correriam riscos pelo Estado de Israel”.

Líderes da oposição e críticos descreveram o acordo como perigoso para Israel e um sinal de que a posição do país em Washington havia se deteriorado.

“Todo programa nuclear militar começa com um programa civil”, disse Avigdor Liberman, político israelense que atuou como ministro da Defesa de 2016 a 2018. Ele acrescentou que Israel deveria pressionar o Congresso para protestar contra o acordo, que, segundo ele, poderia levar a uma corrida armamentista regional para o desenvolvimento de uma bomba nuclear.

Benny Gantz, outro líder da oposição, que atuou como ministro da Defesa de 2020 a 2022, classificou o acordo EUA-Arábia Saudita como “uma grande oportunidade perdida” e apontou o dedo para o governo de Netanyahu.

“Repetidamente, este governo extremista perde oportunidades de mudar o Oriente Médio”, escreveu ele em uma postagem no X.

O plano de condicionar um acordo nuclear EUA-Arábia Saudita à abertura de relações diplomáticas entre Israel e a Arábia Saudita já havia sido discutido durante o governo Biden. No entanto, essa perspectiva tornou-se cada vez mais remota após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e a subsequente campanha israelense em Gaza, que foi duramente criticada pela Arábia Saudita. / NYT

Estadão 

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