Setor mineral cresce 8% e fatura R$ 150 bilhões no 1º semestre


 Foto: REUTERS/David Stanway

O setor mineral brasileiro registrou faturamento de R$ 150,7 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

O resultado representa uma alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor faturou R$ 139,2 bilhões.

O crescimento foi puxado principalmente pelo ouro e pelo cobre, que compensaram a queda registrada pelo minério de ferro, principal produto da mineração brasileira.

O faturamento com ouro avançou 44,2%, de R$ 17,6 bilhões para R$ 25,3 bilhões. Já a receita gerada pelo cobre cresceu 41%, passando de R$ 14,6 bilhões para R$ 20,6 bilhões.

O movimento acompanhou a valorização das duas commodities no mercado internacional. O preço médio do ouro aumentou 52,9% na comparação anual, enquanto o cobre teve alta de 38,8%.

O ouro costuma ganhar força em períodos de maior instabilidade econômica e geopolítica, quando investidores ampliam a procura pelo metal como reserva de valor e proteção contra riscos.

No caso do cobre, a alta reflete o crescimento da demanda global por um metal considerado estratégico para a transição energética. O produto é utilizado em redes elétricas, veículos elétricos, sistemas de geração renovável e na expansão da infraestrutura necessária à eletrificação da economia.

O minério de ferro, por outro lado, teve queda de 3,1% no faturamento, de R$ 73,5 bilhões para R$ 71,2 bilhões. Mesmo com o recuo, a commodity respondeu por 47,2% de toda a receita do setor mineral no primeiro semestre.

Destaques estaduais e arrecadação

Minas Gerais e Pará concentraram mais de 70% do faturamento da mineração brasileira no período.

Minas Gerais liderou o ranking, com R$ 57,6 bilhões e participação de 38,2% no total nacional. O Pará aparece na sequência, com R$ 52,2 bilhões, equivalente a 34,6% do faturamento. A Bahia ficou em terceiro lugar, com R$ 7,5 bilhões e participação de 5%.

A arrecadação de impostos e tributos pelo setor mineral alcançou R$ 52 bilhões no primeiro semestre, alta de 8,2% na comparação anual.

Desse total, R$ 3,8 bilhões foram arrecadados por meio da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral), conhecida como royalty da mineração. O valor representa um crescimento de 3,6% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Em maio, último dado disponível, a indústria extrativa mineral somava 229.614 empregos diretos, sem considerar o setor de petróleo e gás. Entre janeiro e maio, foram abertas 421 novas vagas.

Impacto na balança comercial

As exportações minerais brasileiras alcançaram US$ 25,1 bilhões no primeiro semestre, alta de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Em volume, foram exportadas 196,2 milhões de toneladas de produtos minerais, crescimento de 2,4%. O minério de ferro respondeu por 53,6% do valor exportado pelo setor.

As exportações de minério de ferro somaram US$ 13,4 bilhões, aumento de 5,2%. O ouro registrou alta de 69,3%, para US$ 4,6 bilhões, enquanto as vendas externas de cobre avançaram 83,8%, alcançando US$ 3,87 bilhões.

A China permaneceu como o principal destino dos produtos minerais brasileiros e recebeu 70,1% do volume exportado pelo setor.

As importações minerais cresceram 18,9% em valor e totalizaram US$ 4,8 bilhões. Em volume, o Brasil importou 20,9 milhões de toneladas, alta de 6,7%.

Com isso, o saldo da balança comercial mineral chegou a US$ 20,3 bilhões, aumento de 25,4%. O resultado equivaleu a 48% de todo o superávit comercial brasileiro registrado no primeiro semestre.

CNN

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