Foto: Alex Wong/Getty Images
O Líbano e Israel estenderam seu cessar-fogo por três semanas após uma reunião de alto nível na Casa Branca, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira (23).
Trump recebeu o embaixador de Israel em Washington, Yechiel Leiter, e a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Moawad, no Salão Oval para uma segunda rodada de negociações facilitadas pelos EUA, um dia depois de ataques israelenses terem matado pelo menos cinco pessoas, incluindo um jornalista.
"A reunião foi muito boa! Os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano para ajudá-lo a se proteger do Hezbollah", escreveu Trump na rede social Truth Social.
O Hezbollah, grupo armado alinhado ao Irã que luta contra Israel, não estava presente nas negociações. O grupo afirma ter "o direito de resistir" às forças de ocupação.
Trump acrescentou que espera receber o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Josef Aoun, em breve.
Ele também falou com repórteres no Salão Oval, ao lado dos participantes da reunião, dizendo que esperava que os líderes se encontrassem durante o cessar-fogo de três semanas.
Ele afirmou que havia "uma grande chance" de os dois países chegarem a um acordo de paz ainda este ano.
O vice-presidente americano, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, e o embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, também participaram da reunião.
O cessar-fogo, alcançado após negociações entre os embaixadores dos dois países em Washington na semana passada, expiraria no domingo (26).
Ele resultou em uma redução significativa da violência, mas os ataques continuaram no sul do Líbano, onde tropas israelenses tomaram uma zona de segurança autodeclarada.
"Tornar o Líbano grande novamente"
A embaixadora Moawad, que participou da reunião buscando uma prorrogação do cessar-fogo, agradeceu a Trump por sediar as negociações.
"Acredito que com sua ajuda, com seu apoio, podemos tornar o Líbano grande novamente", disse ela.
Um funcionário libanês afirmou anteriormente que Beirute pressionaria pela retirada israelense, pelo retorno dos libaneses detidos em Israel e pela delimitação da fronteira terrestre em uma próxima fase de negociações.
Israel tem buscado estabelecer uma causa comum com o governo libanês em relação ao Hezbollah, grupo fundado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e que Beirute tenta desarmar pacificamente há um ano.
O embaixador israelense, Leiter, declarou durante a reunião que as negociações devem se concentrar na erradicação do Hezbollah, e não na retirada das forças israelenses.
"Se o Hezbollah e os agentes da Guarda Revolucionária continuarem a ser tratados com condescendência, um processo real para alcançar nosso objetivo mútuo permanecerá inatingível", disse Leiter, segundo declarações divulgadas pela embaixada israelense em Washington.
Questionado sobre como os EUA ajudariam o Líbano a combater o Hezbollah, Trump não deu detalhes, mas afirmou que os EUA têm "uma ótima relação com o Líbano". Trump disse que Israel precisa ser capaz de se defender contra ataques do Hezbollah.
O presidente americano também pediu que o Líbano revogue as leis contra o diálogo com Israel.
"É crime conversar com Israel?", respondeu ele ao ser questionado sobre as leis conhecidas como leis antinormalização, das quais ele parecia não ter conhecimento.
"Bem, tenho quase certeza de que isso será encerrado muito em breve. Vou garantir isso", disse Trump.
Dia mais mortal desde o cessar-fogo
O exército israelense informou nesta quinta-feira que matou dois indivíduos armados no sul do Líbano, após identificá-los se aproximando de soldados e representando o que descreveu como uma ameaça imediata.
Não ficou imediatamente claro se a ocorrência estava relacionada aos ataques relatados anteriormente em áreas próximas pelo Ministério da Saúde do Líbano, que afirmou que um ataque aéreo israelense matou três pessoas e que um bombardeio de artilharia feriu outras duas, incluindo uma criança.
Quarta-feira (22) foi o dia mais mortal no Líbano desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 16 de abril.
Entre os mortos pelos ataques israelenses estava a jornalista libanesa Amal Khalil, segundo um alto funcionário militar libanês e seu empregador, o jornal Al-Akhbar.
AL-AKHBAR
O exército israelense afirmou na quarta-feira que estava analisando uma ocorrência em que recebeu relatos de que dois jornalistas foram feridos por ataques que, segundo o governo, visavam veículos que saíam de uma estrutura militar usada pelo Hezbollah. O exército afirmou que Israel não tem como alvo jornalistas.
O parlamentar do Hezbollah, Hassan Fadlallah, disse que o grupo deseja a continuidade do cessar-fogo, mas "com base no cumprimento integral por parte do inimigo israelense".
Em uma coletiva de imprensa televisionada, ele reiterou as objeções do Hezbollah às negociações presenciais e instou o governo a cancelar todas as formas de contato direto com Israel.
As hostilidades entre o Hezbollah e Israel recomeçaram em 2 de março, quando o grupo abriu fogo em apoio ao Irã na guerra regional.
O cessar-fogo no Líbano surgiu separadamente dos esforços de Washington para resolver seu conflito com Teerã, embora o Irã tenha pedido a inclusão do Líbano em qualquer trégua mais ampla.
O Hezbollah afirmou ter realizado quatro operações no sul do Líbano na quarta-feira em resposta aos ataques israelenses.
Quase 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou a ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo as autoridades libanesas.
Israel ocupa uma faixa no sul do país que se estende de 5 a 10 quilômetros para dentro do Líbano, alegando que o objetivo é proteger o norte de Israel dos ataques do Hezbollah, que já lançou centenas de foguetes durante a guerra.
O exército israelense reiterou o alerta aos moradores do sul do Líbano para que não entrem na área.
CNN
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