O plano, elaborado por Israel e sobre o qual Ahmadinejad teria sido previamente consultado, desmoronou já no primeiro dia da ofensiva, de acordo com o periódico americano.
O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad (Foto: ATTA KENARE / AFP)
Segundo autoridades americanas ouvidas pelo jornal, Trump estava embalado pelo sucesso da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e pela disposição de sua substituta interina de cooperar com Washington, e acreditava poder replicar o modelo em Teerã.
Mas um ataque israelense à residência do ex-presidente, no bairro de Narmak, na zona leste de Teerã, tinha como objetivo eliminar a guarda da Guarda Revolucionária que o mantinha confinado, na prática, uma operação de resgate.
Ahmadinejad sobreviveu, mas, segundo as fontes ouvidas pelo jornal, perdeu o entusiasmo pela iniciativa após o episódio. Desde então, não apareceu em público e seu paradeiro permanece desconhecido.
Os ataques israelenses no mesmo dia mataram o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, além de outras altas autoridades reunidas em seu complexo no centro de Teerã. A Casa Branca identificou algumas dessas figuras como potencialmente mais abertas a negociar uma transição de governo do que seus superiores.
A escolha incomum
A opção por Ahmadinejad surpreende pelo histórico do personagem. Durante seus dois mandatos, ficou marcado por declarações sobre “varrer Israel do mapa” e por defender com veemência o programa nuclear iraniano, sendo considerado uma figura da chamada “linha dura” iraniana.
Nos anos seguintes ao poder, no entanto, Ahmadinejad passou a confrontar a cúpula do regime. Acusou líderes de corrupção e má gestão, teve assessores presos e foi barrado pelo Conselho Guardião em três tentativas de retorno à presidência — em 2017, 2021 e 2024. Perdeu todas as eleições.
Em entrevista ao New York Times em 2019, elogiou o presidente Donald Trump e defendeu a reaproximação entre os dois países.
Viagens à Guatemala (2023) e à Hungria (2024 e 2025), ambos países com laços estreitos com Israel, alimentaram especulações sobre seus contatos. O ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, próximo de Netanyahu, recebeu Ahmadinejad, que discursou em uma universidade ligada ao político. O ex-presidente iraniano retornou de Budapeste poucos dias antes do início dos ataques israelenses, em junho de 2025.
Agências oficiais iranianas, após noticiarem inicialmente sua morte, retificaram a informação: o ex-presidente sobreviveu, mas seus “seguranças” — membros da Guarda Revolucionária responsáveis pelo confinamento — morreram.
Revista Fórum
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