Foto: Alex Régis
O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), que será proposto pelo governo federal, não deve impactar o preço do combustível no Rio Grande do Norte. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, apesar da medida ter potencial para conter a dependência de gasolina de outros estados, a redução nessa demanda deve ser compensada por um aumento na procura por etanol anidro que não será suprida pela produção local.
O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vai ser discutido na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para este início de maio. O anúncio foi feito pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no final do mês passado, durante a abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol, em Uberaba (MG).
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que o aumento da mistura pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina. O volume é considerado suficiente para zerar a dependência externa da importação de combustível e colocar o Brasil, pela primeira vez, em condição de autossuficiência.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Norte (Sindipostos/RN), Maxwell Flor, avalia que apesar da medida favorecer a redução da compra da gasolina dos postos do Rio Grande do Norte por distribuidoras de outros estados, a diminuição deve ser compensada por uma maior demanda de etanol anidro que não vai ser suprida pela produção local.
“Aqui a gente só tem praticamente duas usinas [Usina Estiva e Vale Verde] que têm um volume maior de etanol. Então o nosso etanol, principalmente o anidro, acaba vindo de outros estados. O que talvez diminua no custo da gasolina - ou até na dependência - vamos [compensar] na dependência do etanol de outros estados”, explica Maxwell Flor.
O presidente do Sindipostos/RN acrescenta que a mudança no percentual não deve impactar o preço da gasolina para os consumidores porque o custo do etanol depende do volume de cada safra do produto, podendo ficar mais caro que a gasolina, a depender da demanda, principalmente em regiões com menor produção.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) disse em nota à TRIBUNA DO NORTE que apoia toda iniciativa do governo que se propõe a minimizar os efeitos do conflito internacional nos preços dos combustíveis. “No entanto, ainda não temos a certeza de qual será o impacto do aumento de 32% de etanol anidro nos custos finais da gasolina, uma vez que o etanol é uma commodity, que passa por oscilações de preços diários”.
Outra preocupação da federação é com relação à capacidade técnica dos veículos exclusivamente movidos a gasolina de receber mais etanol. “Como medida de segurança, apoiamos a realização de testes técnicos para avaliar a viabilidade de aplicação desse percentual nos motores que não são flex”, diz a entidade.
Maxwell Flor também demonstrou preocupação quanto ao aspecto técnico dos veículos. “Tínhamos o percentual de até 20% antigamente e foi aumentando para 25%, 27%, 29%, até chegar nos atuais 30%. Então, a gente fica com receio de que esse percentual de 32% possa trazer problemas mecânicos para os carros que não são flex”, observa.
Tribuna do Norte
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