Xi e Trump se encontram durante visita do líder chinês a Washington Reprodução / @WhiteHouse
Os governos da China e dos Estados Unidos chegaram a um entendimento para recomendar condições tarifárias mais favoráveis a um conjunto de mercadorias avaliadas em US$ 30 bilhões em cada sentido do comércio bilateral. O acordo foi anunciado pela Casa Branca na sexta-feira (25/09), após a visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, onde se reuniu com seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
O entendimento abrange mercadorias avaliadas em até US$ 60 bilhões somando os dois fluxos comerciais. Isso não significa, necessariamente, uma redução de tarifas já efetivada sobre todo esse valor: o comunicado norte-americano informa que os dois países chegaram a um consenso sobre recomendações para conceder tratamento tarifário mais favorável aos produtos abrangidos. A lista completa de mercadorias e as alíquotas aplicáveis não foram detalhadas no documento.
O acordo integra uma iniciativa para reduzir obstáculos ao comércio entre as duas maiores economias do mundo, que mantêm divergências sobre tarifas, acesso a mercados, investimentos e fornecimento de matérias-primas estratégicas.
Os compromissos anunciados indicam uma tentativa de estabelecer canais permanentes de negociação em áreas nas quais os dois países mantêm interesses econômicos comuns, mas também disputas estratégicas. O anúncio dos mecanismos de comércio e investimento não significa que as divergências sobre tarifas, acesso a mercados e minerais críticos tenham sido resolvidas.
A avaliação do alcance econômico do acordo dependerá da divulgação das listas definitivas de produtos, das alíquotas aplicadas e dos prazos de implementação. Também será necessário acompanhar os resultados das novas estruturas de negociação e verificar quais compromissos anunciados serão efetivamente cumpridos.
Tarifas mais favoráveis
Segundo o comunicado da Casa Branca, os produtos norte-americanos que poderão receber tratamento tarifário mais favorável na China incluem mercadorias agrícolas, peixes e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos.
No sentido inverso, a relação inclui produtos chineses destinados ao mercado dos Estados Unidos, como pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração para festas e cadeirinhas infantis para automóveis. A definição dos produtos abrangidos e a aplicação das recomendações dependem dos procedimentos previstos no entendimento bilateral.
Os dois governos também colocaram em funcionamento o Conselho de Comércio EUA-China, criado durante a reunião entre Trump e Xi em Pequim, em maio de 2026. O órgão deverá tratar de questões comerciais e de barreiras de acesso aos mercados, incluindo as que afetam o setor agrícola.
As negociações envolvem problemas que vão além das tarifas. O Ministério do Comércio chinês informou, em comunicado divulgado em setembro, que as equipes econômicas dos dois países mantinham contato para discutir a redução tarifária recíproca e outros pontos pendentes. Na ocasião, Pequim afirmou que os detalhes ainda estavam em negociação.
China deverá comprar carvão norte-americano
Outro compromisso anunciado pela Casa Branca prevê a compra, pela China, de pelo menos 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos em 2027 e novamente em 2028. A medida foi apresentada pelo governo Trump como parte dos esforços para ampliar as exportações norte-americanas e fortalecer o setor carbonífero do país.
O anúncio também prevê a criação do Conselho de Investimentos EUA-China, destinado a discutir oportunidades de negócios e obstáculos aos investimentos nos dois países. O mecanismo deverá oferecer um canal institucional para tratar de questões que afetam empresas interessadas em operar nos respectivos mercados.
Outro ponto da agenda é o fornecimento de terras raras e outros minerais críticos. Washington informou que os dois governos continuam discutindo como enfrentar as restrições de oferta desses materiais, importantes para setores como eletrônicos, veículos elétricos, equipamentos de energia e indústria de defesa. O comunicado não especifica quais medidas adicionais serão adotadas nem estabelece um cronograma para a normalização dos fornecimentos.
Na área energética, Trump pediu a Xi que ampliasse a produção chinesa de derivados refinados de petróleo, com o objetivo de contribuir para a estabilização da oferta mundial. A declaração ocorre em um contexto de tensões no Oriente Médio e de preocupações com a segurança do abastecimento energético internacional.
Os presidentes também concordaram em estabelecer um canal bilateral de comunicação para incidentes relacionados às tecnologias que os Estados Unidos denominam superinteligência. Foi criado um mecanismo de diálogo para discutir os riscos e benefícios dessas tecnologias, com uma nova rodada de conversas prevista para novembro de 2026.
Os dois governos também manifestaram a intenção de apoiar suas respectivas presidências do G20 e da Apec, fóruns multilaterais dos quais ambos participam. Trump e Xi discutiram ainda questões relacionadas à Rússia, à Coreia do Norte e ao Irã, além do controle de armamentos.
Fonte: Opera Mundi.
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