Foto: José Aldenir
A disponibilidade de energia renovável e a atualização das normas de licenciamento ambiental colocam o Rio Grande do Norte em posição de disputar investimentos ligados à economia digital e à transição energética. A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, que participou, nesta quarta-feira 21, da sétima edição do Energy Storage Brasil, realizada na Casa da Indústria, em Natal. O encontro reuniu empresários, investidores, especialistas e representantes do poder público para discutir as oportunidades de negócios no mercado de armazenamento de energia.
Segundo Serquiz, a combinação entre recursos naturais, formação profissional e segurança jurídica pode ampliar a capacidade do Estado de receber empreendimentos de tecnologia e infraestrutura energética. O presidente da Fiern ressaltou, entretanto, que a disponibilidade de energia eólica e solar não é suficiente para garantir a instalação de empresas, sendo necessário oferecer condições regulatórias que permitam aos investidores planejar a implantação dos projetos.
“Temos algumas das maiores riquezas do mundo contemporâneo, que são o sol e o vento. Mas isso por si só não garante investimentos, então é necessário oferecer segurança jurídica e é nesse ponto que a Fiern tem dado sua contribuição”, afirmou.
O Rio Grande do Norte está entre os principais produtores de energia eólica do Brasil e vem ampliando sua capacidade de geração solar. A expansão dessas fontes, porém, também exige investimentos em infraestrutura de transmissão e tecnologias capazes de armazenar a eletricidade produzida nos períodos de maior geração. Os sistemas de baterias são considerados uma das alternativas para permitir o aproveitamento da energia em horários de maior demanda, reduzir oscilações no fornecimento e ampliar a flexibilidade da operação elétrica.
A necessidade de armazenamento ganha espaço no debate sobre o futuro do setor energético brasileiro diante do crescimento das fontes renováveis. Como a geração eólica depende das condições dos ventos e a solar varia conforme a incidência de luz, os sistemas de baterias podem contribuir para equilibrar a oferta e o consumo de eletricidade. A implantação dessas estruturas também representa oportunidades para fabricantes de equipamentos, empresas de engenharia, prestadores de serviços e investidores interessados em novos modelos de negócio.
Para a indústria potiguar, a expansão do armazenamento pode criar condições para atrair atividades econômicas que exigem fornecimento contínuo de energia, como os centros de processamento de dados. Esses empreendimentos dependem de infraestrutura elétrica, conectividade e sistemas de refrigeração, além de regras ambientais que permitam avaliar previamente os custos e os prazos de implantação.
Regras ambientais entram na pauta industrial
Durante o evento, Serquiz citou a atuação da Fiern, em parceria com o Governo do Estado, na elaboração e aprovação de resoluções do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema) voltadas ao licenciamento de sistemas de armazenamento por baterias, data centers e empreendimentos de produção de hidrogênio.
As normas estabelecem parâmetros para a análise ambiental dessas atividades e buscam oferecer maior clareza sobre os procedimentos exigidos dos investidores. A regulamentação é considerada pelo setor produtivo uma etapa necessária para viabilizar projetos que utilizam tecnologias ainda recentes no mercado brasileiro.
“As resoluções foram fruto de um amplo diálogo para trazer exatamente um ambiente eficiente, moderno e competitivo para quem quiser aportar no Estado”, declarou o presidente da Fiern.
A atualização da legislação ambiental estadual também integra a agenda defendida pela federação. Segundo Serquiz, a entidade mantém conversas com parlamentares para avançar na revisão das normas e estabelecer condições de maior previsibilidade para os processos de licenciamento, preservando a autonomia técnica dos órgãos responsáveis pela avaliação dos empreendimentos.
“Temos conversado com nossos parlamentares e estamos confiantes para aprovar uma política que traga a previsibilidade do processo de licenciamento e a independência técnica do órgão ambiental”, afirmou.
A discussão envolve aspectos como prazos de análise, exigências documentais, critérios técnicos e procedimentos aplicáveis a diferentes tipos de projetos. Para investidores, essas definições a estimativa de cuse o cronograma de execução
obras. Para os órgãos ama atualização das regras precisa assegurar conde fiscalização e avaliação possíveis impactos sobre o e as comunidades. “Queremos que a nova norma
sobretudo, a condição de onde realmenos investimentos possam cheao Rio Grande do Norte para todo esse potencial do processo de transição completou Serquiz.
Armazenamento pode ampliar cadeias produtivas potiguares
A expansão do mercado de armazenamento de energia representa uma possibilidade de diversificação da economia potiguar, tradicionalmente associada à geração eólica e, mais recentemente, à solar. A instalação de sistemas de baterias pode ampliar a demanda por serviços de montagem, manutenção, engenharia elétrica, automação e operação de equipamentos.
Além da infraestrutura energética, o setor produtivo avalia que a formação de profissionais especializados poderá influenciar a decisão das empresas sobre a localização de novos empreendimentos. A operação de sistemas de armazenamento e centros de processamento de dados exige trabalhadores capacitados em áreas como eletrotécnica, tecnologia da informação, segurança operacional e manutenção industrial.
A integração entre geração renovável, armazenamento e infraestrutura digital também poderá criar novas oportunidades para a indústria instalada no Estado. No entanto, a concretização desses investimentos dependerá de fatores como disponibilidade de conexão à rede elétrica, condições de financiamento, viabilidade econômica dos projetos e evolução das regras do setor.
O Energy Storage Brasil reúne representantes de empresas de tecnologia, fabricantes, investidores, desenvolvedores de projetos e instituições públicas para discutir a evolução do mercado nacional de armazenamento de energia. A programação aborda regulamentação, inovação, modelos de negócio e aplicações dos sistemas de baterias no setor elétrico.
Para a Fiern, o avanço desse mercado pode contribuir para ampliar o aproveitamento da eletricidade produzida no Rio Grande do Norte e atrair empreendimentos associados à economia digital. A expectativa da entidade é que a combinação entre infraestrutura energética, qualificação profissional e atualização das normas ambientais fortaleça a participação do Estado nos investimentos relacionados à transição energética.
AgoraRN

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