REUTERS
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, chegou ao Reino Unido nesta quarta-feira (14) para se reunir com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Londres, num momento em que o Reino Unido busca reafirmar seu apoio à Ucrânia, inclusive com a promessa de um novo pacote de mísseis terra-ar.
A reunião ocorre em um momento difícil para Zelenskiy. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no fim de semana que ele deveria ser substituído na liderança da Ucrânia, dias depois de fechar um acordo com Moscou para suspender as sanções sobre as exportações russas de diesel.
O Reino Unido afirmou não apoiar o acordo EUA-Rússia sobre o diesel e pediu aos aliados que mantenham a pressão econômica sobre Moscou.
Burnham declarou que o apoio à Ucrânia é vital para garantir a segurança da população britânica e prometeu mais apoio militar.
EUA querem que compra de diesel russo facilite paz na Ucrânia, dizem fontes
Enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informaram autoridades ucranianas na sexta-feira (9) que um acordo para permitir a exportação de diesel russo faz parte de uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações, após o fracasso de esforços anteriores para iniciar conversas duradouras visando encerrar a guerra; a informação foi dada à Reuters por três pessoas a par da reunião.
O enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, disseram aos ucranianos, em uma reunião em Miami, que o presidente russo, Vladimir Putin, não estava disposto a negociar o fim da guerra na Ucrânia — que já dura quatro anos e meio — e que o acordo anunciado na semana passada poderia ajudar a retomar as negociações trilaterais.
Essa informação veio de duas das pessoas consultadas, que falaram sob condição de anonimato.
A terceira pessoa afirmou que os EUA transmitiram aos ucranianos a ideia de que o acordo sobre o diesel poderia ajudar a "suavizar" a posição de Moscou, em parte porque "envia um sinal de que Trump está aberto a realizar ações" em conjunto com a Rússia.
Esse acordo, pelo qual a Rússia fornecerá mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados dos EUA e global, provocou críticas de alguns legisladores americanos. Eles argumentam que a medida fornecerá recursos financeiros para Moscou continuar a guerra, sem obrigar Putin a fazer concessões para encerrar o conflito. Nesta segunda-feira (12), Trump defendeu publicamente o acordo, classificando-o como "a escolha certa para o povo americano".
Trump afirma que o acordo reduzirá os preços de energia nos EUA — uma questão que se tornou uma dor de cabeça política para o Partido Republicano antes das cruciais eleições de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso.
O presidente americano também queria que os ucranianos parassem de atacar refinarias russas, disse Kushner na reunião, reiterando que o governo já havia feito esse pedido várias vezes, segundo as duas pessoas. Trump alegou que os ataques da Ucrânia estão elevando os preços globais dos combustíveis, embora a maioria dos especialistas aponte a guerra no Irã como o principal fator para os custos elevados.
"A ideia era que os EUA pudessem voltar à Rússia e dizer: 'Vejam, os ucranianos pararam de atacar e nós lhes demos este acordo. Agora é a vez de vocês fazerem algo'", disse uma das pessoas.
No domingo (11), Trump anunciou uma trégua energética entre a Rússia e a Ucrânia, poucos dias depois de divulgar o acordo sobre o diesel. No entanto, os lados em conflito não confirmaram o cessar-fogo, e a Rússia atacou alvos do setor de energia dentro da Ucrânia nesta segunda-feira.
A embaixada da Rússia em Washington e o gabinete presidencial em Kiev não responderam imediatamente a um pedido de comentário. Uma pessoa próxima ao Kremlin afirmou que o acordo sobre o diesel "é uma maneira de trazer a Rússia de volta" às negociações.
Uma das pessoas a par da reunião disse que o acordo sobre o diesel é apenas uma parte de uma discussão mais ampla sobre como trazer a Ucrânia e a Rússia de volta à mesa de negociações e encerrar a guerra. A reunião também abordou garantias de segurança para Kiev, disse a pessoa, sem dar mais detalhes.
CNN

0 Comentários