Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro debate do segundo turno


 Foto: Renato Pizzutto/Band

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações e apresentaram propostas para áreas como segurança pública, economia e saúde durante o debate da TV Band, realizado na noite deste domingo (18). O encontro foi o primeiro confronto direto entre os candidatos no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

Ao longo dos três blocos, os adversários também discutiram produtividade, relações com os Estados Unidos, redução da maioridade penal e saída temporária de presos. As acusações relacionadas a investigações e familiares dos candidatos estiveram entre os principais pontos de confronto.

Segurança pública e facções criminosas

A segurança pública foi um dos principais assuntos do debate. Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das medidas contra o crime organizado, com a classificação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias como organizações narcoterroristas.

O senador também propôs a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos, a castração química para condenados por estupro e o fim da saída temporária de presos.

Lula defendeu maior participação do governo federal no combate à criminalidade e criticou Flávio por não apoiar uma proposta de emenda à Constituição apresentada pelo Executivo para ampliar a coordenação nacional da segurança pública. 

Sobre a saída temporária, o presidente defendeu a manutenção do benefício para presos do regime semiaberto que atendam aos critérios legais, com restrições para condenados por crimes violentos.

Banco Master e suspeitas de corrupção

O caso Banco Master também esteve entre os principais pontos de confronto. Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões associados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador afirmou que os recursos estavam relacionados à produção cinematográfica e rebateu as críticas do presidente com acusações envolvendo o governo petista.

Lula também propôs que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos, incluindo informações de familiares, para esclarecer as acusações feitas durante a campanha.

Lulinha e acusações envolvendo familiares

Flávio questionou Lula sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, e sobre a relação dele com a empresária Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos relacionados a suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Lula afirmou que as investigações devem seguir seu curso e declarou que seu filho não receberia proteção. O presidente também direcionou críticas à família Bolsonaro, mencionando a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Os dois candidatos trocaram acusações envolvendo familiares e aliados ao longo do encontro.

Saúde e gestão do SUS

Na área da saúde, Flávio apresentou a proposta de criar um sistema de atendimento que chamou de “SUS padrão Einstein”. Entre as medidas mencionadas pelo senador estão a integração de prontuários eletrônicos, a ampliação da telemedicina e o uso de tecnologia para melhorar o atendimento aos pacientes.

O candidato também reconheceu dificuldades na área durante o governo Jair Bolsonaro, mas citou o contexto da pandemia de Covid-19.

Lula criticou a condução da pandemia pela gestão anterior e questionou como as propostas de Flávio seriam implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS).

Economia, dívidas e salário mínimo

Os candidatos também discutiram medidas para estimular a economia e melhorar a renda das famílias. Flávio defendeu a renegociação de dívidas, a ampliação de oportunidades de trabalho e a criação do Ministério da Prosperidade para coordenar políticas sociais e econômicas.

Lula destacou programas de distribuição de renda, o incentivo aos pequenos negócios e a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação. O presidente também mencionou investimentos na indústria e na formação profissional.

A escala de trabalho 6x1 entrou no confronto. Lula questionou a posição do senador sobre mudanças no modelo, enquanto Flávio afirmou ter revisto sua posição após ouvir trabalhadores durante a campanha.

Relações com os Estados Unidos

A política externa também gerou divergências. Lula questionou a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre os interesses envolvendo recursos estratégicos brasileiros, como as terras raras.

Flávio negou que pretenda comprometer a soberania nacional e afirmou que suas viagens ao país tiveram como objetivo defender interesses brasileiros. O senador também mencionou iniciativas de cooperação internacional para combater o narcotráfico e organizações criminosas.

Considerações finais

Nas considerações finais, Lula destacou ações e indicadores de suas gestões anteriores e criticou medidas associadas ao campo político adversário. Flávio reforçou as promessas relacionadas à segurança pública e à prosperidade econômica, além de voltar a criticar o governo petista.


Tribuna do Norte

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