Gustavo Moreno/STF

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) começa a julgar nesta sexta-feira (22) se mantém a prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado pela PF (Polícia Federal) como um dos operadores financeiros do esquema investigado na Operação Compliance Zero.

O caso será analisado no plenário virtual da turma entre os dias 22 e 29 de maio. Os ministros vão decidir se referendam a decisão do ministro André Mendonça, relator da investigação do Banco Master no Supremo, que converteu a prisão temporária de Felipe em preventiva.

Felipe foi preso no início de maio durante a quinta fase da operação da PF, que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e corrupção envolvendo empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro.

Na decisão levada ao colegiado, Mendonça afirmou que há indícios de continuidade das supostas atividades ilícitas mesmo após o avanço das investigações. O ministro também citou risco de reiteração criminosa, ocultação patrimonial e interferência na apuração.

Segundo a Polícia Federal, Felipe integraria o “núcleo financeiro-operacional” do grupo investigado, sendo responsável pela execução de movimentações financeiras e societárias suspeitas.

A investigação aponta que ele atuou diretamente na operação de venda de 30% da Green Investimentos para uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo os investigadores, a participação societária, avaliada em cerca de R$ 13 milhões, teria sido negociada por R$ 1 milhão.

O julgamento ocorre em meio às negociações de um possível acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal rejeitou na quarta-feira (20) uma proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro, preso desde março no âmbito da Operação Compliance Zero. Como mostrou a CNN Brasil, os investigadores avaliaram que Vorcaro não apresentou informações novas em relação ao material já reunido pela apuração.

Apesar disso, a defesa do ex-dono do Banco Master segue negociando um acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), que demonstrou interesse em dar continuidade às conversas.

CNN