Lajes chama atenção no mapa de denúncias eleitorais do rn


 Com 51 denúncias registradas no Pardal, município aparece à frente de cidades mais populosas e moradores questionam possível favorecimento político em rádio comunitária

O município de Lajes, na região Central do Rio Grande do Norte, entrou em destaque no levantamento de denúncias eleitorais registradas por meio do aplicativo Pardal, ferramenta disponibilizada pela Justiça Eleitoral para que cidadãos comuniquem possíveis irregularidades durante o período eleitoral.

Segundo os números apresentados no levantamento, Lajes contabilizava 51 denúncias, ficando atrás apenas de Natal e Mossoró e à frente de municípios mais populosos, como Parnamirim. O número chama atenção pelo tamanho do município e coloca Lajes entre as cidades potiguares com maior volume de registros.

O Pardal é uma ferramenta oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite que eleitoras e eleitores comuniquem possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. A denúncia pode ser acompanhada de fotos, vídeos, áudios e links, e a identidade do denunciante permanece protegida por sigilo.

RÁDIO COMUNITÁRIA TAMBÉM É ALVO DE QUESTIONAMENTAMENTOS

Em Lajes, além das denúncias registradas na plataforma, moradores vêm levantando questionamentos sobre a atuação de uma rádio comunitária do município durante o período eleitoral.

Entre as reclamações apresentadas por populares está a alegação de que a emissora estaria dando espaço ou tratamento que, na avaliação desses moradores, poderia representar favorecimento político a determinados grupos ou nomes.

É importante destacar: as reclamações populares, por si só, não comprovam qualquer irregularidade. Eventuais acusações precisam ser analisadas pelos órgãos competentes, com base no conteúdo efetivamente veiculado, na legislação eleitoral e nas circunstâncias de cada caso.

A questão ganha relevância porque a Justiça Eleitoral disponibiliza mecanismos específicos para que a população comunique possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. O próprio TSE orienta que situações envolvendo campanhas, candidaturas, partidos e propaganda podem ser encaminhadas pelo Pardal.

FISCALIZAÇÃO PODE PARTIR DO PRÓPRIO ELEITOR

O TSE afirma que o objetivo do Pardal é ampliar a participação da sociedade na fiscalização das eleições. Para as Eleições 2026, a ferramenta passou a permitir inclusive o encaminhamento de informações sobre possíveis irregularidades relacionadas a campanhas na internet.

A Justiça Eleitoral também mantém uma plataforma pública na qual é possível acompanhar as estatísticas das denúncias registradas pelo sistema.

Em outras palavras, qualquer cidadão que identifique uma situação que considere suspeita não precisa transformar a denúncia em acusação pública nas redes sociais. Pode reunir elementos, registrar a ocorrência pelos canais oficiais e deixar que a Justiça Eleitoral faça a análise.

O QUE ESTÁ EM JOGO EM LAJES

O volume de denúncias registrado no município e os questionamentos sobre a atuação de uma rádio comunitária colocam a fiscalização eleitoral no centro do debate local.

A pergunta que fica é objetiva:

há apenas reclamações políticas entre grupos adversários ou existem elementos concretos que mereçam ser analisados pela Justiça Eleitoral?

Essa resposta não cabe a grupos políticos, redes sociais ou veículos de comunicação. Cabe aos órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral, a partir das provas e informações apresentadas.

O próprio TSE estabelece que as denúncias recebidas pelo Pardal são encaminhadas para análise e adoção das providências cabíveis. Dependendo da situação, os casos podem ser encaminhados para os canais apropriados, inclusive para o Ministério Público Eleitoral.

Enquanto isso, o eleitor lajense segue tendo à disposição uma ferramenta para fiscalizar aquilo que considera irregular — e, principalmente, para permitir que fatos sejam separados de acusações e que eventuais irregularidades sejam investigadas pelas instituições competentes.

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