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A onda de protestos voltou a chamar a atenção na Europa este fim de semana. Na Alemanha, na França e em Portugal, manifestações motivadas por reivindicações sociais foram acompanhadas por episódios de violência, confrontos com as forças de segurança e intervenções policiais. Os acontecimentos evidenciam diferentes pautas e tensões sociais que mobilizam manifestantes em várias cidades europeias.
Na Alemanha, o movimento "Gen Z regelt" (A Geração Z resolve) convocou manifestações em mais de 30 cidades. A iniciativa denuncia problemas no sistema educacional, injustiças sociais e o aumento do custo de vida, além de se posicionar contra a militarização.
Em Frankfurt, registrou-se maior foco de violência, com a manifestação liderada por jovens a terminar em confrontos com a polícia, depredações e saques na noite de sábado, no centro da cidade. O protesto reuniu entre 8 mil e 9 mil participantes. A mobilização começou de forma pacífica, mas foi encerrada antecipadamente pelas autoridades após sucessivos episódios de violência.
Entre as mensagens exibidas estavam frases como "Nenhum dinheiro para a educação. Mas para armas?", "Serviço militar obrigatório a partir dos 67 anos" e "Os bilionários poluem a paisagem urbana".
Mesmo após o encerramento da manifestação em Frankfurt, os confrontos continuaram em diferentes pontos do centro. Estabelecimentos comerciais tiveram vitrines quebradas e foram saqueados. Segundo o balanço das autoridades, 17 lojas foram danificadas, cinco delas saqueadas.
A polícia mobilizou veículos blindados, canhões de água e uma unidade especial para controlar a situação. Ainda segundo informações da polícia, também foram registrados tumultos em Colônia e Hamburgo.
O episódio reacendeu na Alemanha o debate sobre a possibilidade de confrontos semelhantes aos registrados recentemente na França, onde manifestações sociais também foram acompanhadas por depredações e saques.
© Matthieu Rondel/AFP
Protestos continuam na França
Na França, os protestos nacionais e os acontecimentos durante a noite de Halloween resultaram em 779 prisões, segundo balanço do Ministério do Interior divulgado no dia seguinte. Ao todo, 159 integrantes das forças de segurança ficaram feridos, 515 incêndios foram combatidos e 36 estabelecimentos comerciais sofreram danos. Também foram registrados três saques.
As autoridades contabilizaram aproximadamente 320 mil participantes em todo o país, uma redução de 22% em relação ao sábado anterior e de 42% em comparação com 17 de outubro.
Segundo o Ministério do Interior francês, as manifestações realizadas em trajetos autorizados ocorreram sob acompanhamento policial. Entretanto, grupos de manifestantes teriam tentado avançar em direção aos centros urbanos após o encerramento das passeatas, entrando em confronto com as forças de segurança. O ministério atribuiu parte dos episódios a grupos ligados à extrema esquerda.
Apesar da redução no número de participantes, novas mobilizações estavam previstas, mantendo a pressão sobre o governo francês em meio às reivindicações sociais.
© Filipe Amorim/AFP
Crise habitacional em Portugal
Em Portugal, a mobilização da juventude e de movimentos sociais teve como foco a crise habitacional. Na madrugada de domingo, a polícia desocupou acampamentos de protesto em Lisboa e no Porto, após milhares de pessoas participarem de manifestações contra um projeto de lei que prevê mudanças nas regras de aluguel.
A operação começou por volta das 4h30, quando dezenas de policiais foram mobilizados para desmontar as barracas instaladas na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto. Os acampamentos haviam sido montados após passeatas pacíficas realizadas no sábado contra o aumento dos custos de moradia.
Durante a retirada, os policiais utilizaram escudos e cassetetes para dispersar os participantes. Segundo a polícia, alguns manifestantes lançaram garrafas e tinta contra os agentes.
Ao todo, 13 pessoas foram presas por desobedecerem às ordens de dispersão: seis em Lisboa e sete no Porto. A operação deixou também 13 policiais feridos, dos quais oito precisaram ser hospitalizados. O grupo ativista Acampada Lisboa afirmou que mais de 30 manifestantes ficaram feridos, incluindo 10 que precisaram de atendimento hospitalar.
Horas antes da desocupação, mais de 1.000 pessoas marcharam pelo centro de Lisboa para protestar contra o agravamento da crise habitacional em Portugal. Portugal enfrenta uma das crises habitacionais mais graves da Europa, com os preços dos imóveis mais do que duplicando desde 2017.
Dw Brasil



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