Naufrágio em Lampedusa ilustra dilema europeu com imigração
![]() | ||
Laurence Peter
Da BBC News
O desastre com a embarcação que afundou perto da ilha italiana de Lampedusa, na quinta-feira, chama a atenção para a batalha que a Europa enfrenta para lidar com a grande quantidade de imigrantes – muitos com pedidos de asilos legítimos – que partem do norte da África em direção ao continente.
O barco transportava cerca de 500 imigrantes, dos quais 155 sobreviveram. Equipes de resgate ainda tentam, neste sábado, recuperar corpos que estariam dentro da embarcação, a 47 metros de profundidade.Há anos a minúscula Lampedusa, que fica mais perto do norte da África do que propriamente da Itália, tem se tornado o destino para muitos imigrantes africanos que se aventuram pelo Mar Mediterrâneo fugindo da pobreza, conflitos civis e perseguições.
Até 30 de setembro deste ano, 30,1 mil imigrantes chegaram à Itália em embarcações vindas do norte da África, segundo informações da Acnur, a agência da ONU para refugiados. A maior parte veio da Eritreia (7,5 mil), da Síria, (7,5 mil) e da Somália (3 mil).
Síria e Somália estão arrasadas pela guerra, enquanto que, na Eritreia, milhares estão sendo presos por perseguições políticas ou forçados a se alistar ao Exército.
De acordo com as leis internacionais, refugiados por perseguições têm direito a asilo, mas quando centenas de imigrantes chegam em terra firme, as autoridades têm dificuldades de identificar quem realmente tem direito a asilo.
Frequentemente, eles não chegam munidos de documentos que provem sua nacionalidade ou lugar de origem.
Trauma
Lampedusa está abarrotada de imigrantes. A população normal da ilha é de somente 6 mil habitantes e o centro de acolhida de imigrantes tem capacidade para 250 pessoas.
Os centros de imigrantes na Sicília e no interior da Itália são mais equipados, mas "há sempre a necessidade de aumentá-los porque o sistema está sob grande pressão", diz à BBC Federico Fossi, da Acnur, em Roma.
|


Nenhum comentário:
Postar um comentário