Mais uma vez, o microfone de uma rádio que deveria servir à comunidade foi transformado em palanque político disfarçado de jornalismo. O que foi ao ar não foi informação foi um amontoado de suposições, contas de cabeça e acusações sem prova, embaladas em tom dramático para tentar criar uma crise que simplesmente não existe na proporção anunciada.
A narrativa começa com a velha matemática fantasiosa: somam valores soltos da arrecadação, ignoram despesas obrigatórias, fingem que orçamento público é cofrinho e depois perguntam, com indignação ensaiada, “cadê o dinheiro?”. Cadê? Está exatamente onde a lei manda: folha, saúde básica, educação, contratos essenciais, manutenção da cidade e investimentos estruturais. Transformar receita bruta em “Megasena mensal” é populismo contábil rende manchete fácil, mas não resiste a cinco minutos de análise séria.
Outro capítulo do teatro político foi a tentativa de transformar o debate sobre o hospital em uma novela de perseguição. Falam em “fechar hospital”, “proibir atendimento”, Só frases de efeito e conversas de bastidor usadas como se fossem provas. Quem escuta sem conhecer a realidade pode até acreditar e é exatamente esse o objetivo: criar pânico para desgastar a gestão.
Curioso é que os mesmos que hoje gritam sobre cirurgias e convênios silenciam quando precisam explicar o histórico financeiro dessas instituições ao longo dos anos. Débitos acumulados, contratos discutidos judicialmente e mudanças na forma de prestação de serviço são tratados como se fossem invenção recente. A verdade é simples: gestão pública não se faz no improviso nem no grito de rádio; se faz com planejamento, legalidade e responsabilidade fiscal.
A oposição, sem pauta concreta, resolveu apostar no exagero. Dizem que há “dinheiro sobrando” como se o município pudesse gastar sem limite. Ignoram a Lei de Responsabilidade Fiscal, ignoram vinculações constitucionais e ignoram a complexidade de administrar uma cidade que cresce justamente por causa dos empreendimentos eólicos os mesmos que agora usam como argumento político quando convém.
E quando faltam fatos, sobra dramatização: carros “todos sucateados”, ginásios “abandonados”, servidores “sem rumo”, como se nada tivesse sido feito nos últimos anos. É o roteiro clássico de quem precisa pintar um cenário de terra arrasada para tentar sobreviver politicamente. Só esquecem que a população vive a cidade real, não a cidade fictícia criada no estúdio.
O mais grave é ver uma rádio, que deveria prezar pelo pluralismo e pela responsabilidade social, assumir lado sem qualquer disfarce. Trocam informação por militância, jornalismo por torcida e debate por monólogo inflamado. Chamam isso de “dar voz ao povo”, mas na prática é só ecoar o discurso de um grupo político que claramente perdeu o rumo e agora aposta na desinformação como estratégia.
No fim das contas, o que se ouviu não foi denúncia foi desespero político. Quando a oposição passa a comparar orçamento público com prêmio de loteria e a repetir acusações sem prova, fica evidente que o problema não é a gestão: é a falta de discurso consistente de quem não sabe mais como fazer barulho sem inventar crise.
A população merece informação séria, não espetáculo radiofônico. E quanto mais tentam inflar narrativas, mais escancarada fica a realidade: enquanto alguns gritam no microfone, a cidade segue avançando fora dele.

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