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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Serviços mantêm fôlego de empregos formais no RN e agro cai com entressafra


  Foto: José Aldenir/Agora RN

O mercado de trabalho formal do Rio Grande do Norte registrou saldo negativo de 2.221 vagas em fevereiro de 2026, segundo dados do Novo Caged, refletindo um movimento de ajuste concentrado em setores específicos da economia estadual. Ao todo, foram 19.084 admissões e 21.305 desligamentos no período.

O resultado interrompe a sequência de recuperação observada em janeiro e contrasta com o desempenho nacional, que apresentou geração líquida de empregos no mesmo período, indicando perda de dinamismo relativo da economia potiguar.

A retração foi liderada pela agropecuária, com saldo negativo de 2.152 vagas, seguida pela indústria, que fechou 1.012 postos de trabalho. A construção civil também apresentou resultado negativo de -92.

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, o desempenho reflete um movimento conjuntural típico do início do ano.

“O resultado acompanha oscilações sazonais após o período de maior dinamismo do fim de ano, quando parte das atividades realiza ajustes em seus quadros, especialmente nos setores industrial e agropecuário”, afirmou.

No campo, o recuo está associado ao ciclo produtivo. “O resultado dialoga com períodos de menor intensidade de contratações entre etapas de safra, fenômeno recorrente e esperado ao longo do calendário agrícola”, disse.

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Setor comercial, junto com o de serviços, deram fôlego à geração de empregos formais no RN durante fevereiro – Foto: José Aldenir/Agora RN

Para o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, o desempenho negativo revela problemas estruturais.

“O resultado contrasta com o crescimento observado no Brasil, indicando um descolamento em relação ao cenário nacional e sugerindo menor capacidade de resposta às condições econômicas favoráveis”, afirmou.

Segundo ele, a indústria teve recuo mais intenso, influenciado por segmentos como petróleo e gás (-1.055) e refino de açúcar (-292), o que reforça a necessidade de políticas de estímulo à atividade produtiva.

Na avaliação do economista da Fecomércio RN, William Figueiredo, a maior parte das demissões está concentrada em atividades específicas e não indica deterioração generalizada da economia.

“Questão sazonal. Nada para criar pânico”, afirmou.

Ele destaca que o fechamento de vagas está diretamente ligado à entressafra do melão — com mais de 1.300 postos encerrados — e à cadeia sucroalcooleira, que inclui cultivo de cana, produção de açúcar e etanol, responsável por mais de 1.600 desligamentos.

“Se eu somar essas duas atividades, praticamente explico todo o resultado negativo do mês”, disse.

Os cortes se concentraram em municípios com forte presença dessas atividades, como Mossoró, Apodi e Baraúna, no caso do melão, e em cidades do litoral leste, como Baía Formosa e Goianinha, ligadas à cana-de-açúcar.

Apesar do resultado geral negativo, os setores de serviços e comércio apresentaram desempenho positivo, evitando uma queda mais acentuada no saldo total.

O setor de serviços liderou a geração de empregos, com 861 novas vagas, impulsionado principalmente por atividades ligadas à administração pública, saúde, educação e alimentação. Já o comércio abriu 175 postos formais.

Segundo Fonseca, o desempenho reforça a importância do setor terciário na economia estadual. “O setor de serviços consolidou-se como o principal vetor de geração de empregos no período”, afirmou.

Os dados também mostram concentração da geração de empregos em centros urbanos. Municípios como Natal, Parnamirim e Extremoz lideraram a criação de vagas, impulsionados por comércio e serviços.

Esse movimento reforça a dependência do Estado de atividades urbanas, enquanto regiões mais ligadas à produção agrícola e industrial sofrem maior volatilidade ao longo do ano.

A expectativa do setor produtivo é de recuperação gradual ao longo dos próximos meses, com a retomada dos ciclos agrícolas e possível recomposição da atividade industrial.

Para economistas, no entanto, o desempenho de fevereiro acende um alerta sobre a necessidade de diversificação da economia potiguar e maior resiliência frente a choques sazonais e externos.
AGORA RN 

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