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domingo, 30 de novembro de 2025

Mulheres ampliam espaço no mercado de consertos e construção


 Foto: Adriano Abreu

Ananda Miranda
Repórter

Cada vez mais mulheres estão assumindo o controle da própria casa, adquirindo autonomia e confiança para lidar com reparos domésticos que antes eram frequentemente associados aos homens. Entretanto, a participação de mulheres no mercado da construção civil ainda é vista com preconceito, conforme especialistas.

O curso de reparo doméstico da ONG ReforAmar oferece autonomia, habilidades práticas e confiança para lidar com pequenos consertos do dia a dia, do encanamento à elétrica, da pintura à montagem de móveis.

Karollayne Custódio foi aluna do curso. Formada em designer de interiores e técnica em edificações, ela domina toda a teoria, mas na prática enfrentava dificuldades simples do dia a dia — como instalar um parafuso, escolher a bucha correta ou até usar a parafusadeira em casa. “Eu queria linkar meus conhecimentos teóricos com a prática. Queria ter mais autonomia no dia a dia, em casa, na vida“, disse
De acordo com ela, a ausência de incentivo e de conhecimento gera insegurança, fazendo com que mulheres dependam de outras pessoas para a realização de tarefas simples: “não somos incentivadas desde cedo como os homens a ter conhecimento de ferramentas, por exemplo, não sabemos da importância de ter algumas ferramentas simples para o dia a dia”.

Hoje, Karollayne consegue aplicar os conhecimentos adquiridos no curso em sua prática profissional. Ela atua com instalações elétricas, hidráulicas e de gás, além de serviços relacionados a telefonia e ar-condicionado.

O curso oferece uma turma específica voltada para mulheres trans. Ingrid Ominikan, que participa do curso, relata que também enfrenta preconceito, mas se dedica a aprender cada vez mais para conseguir um emprego na área.

Embora já tivesse acompanhado a construção das duas casas onde morou, Ingrid não tinha nenhum conhecimento prévio sobre construção civil. Ela não sabia realizar reparos domésticos, nem mesmo os mais simples, como fazer a pintura de uma parede.

Há cinco anos, Ingrid namora um ajudante de pedreiro e, agora, graças ao curso, também consegue auxiliá-lo nos serviços. Hoje, ela já se sente capaz até de participar de etapas da construção de uma casa, como preparar a massa de cimento e levantar paredes.

“Pretendo, após o curso, intensificar meu conhecimento na área da construção. Mesmo que eu não coloque a mão na massa, quero estar preparada para administrar, já que meu namorado é servente de pedreiro — e eu vou ajudá-lo, e muito”, afirma.

Paula Santos é professora de elétrica básica e, durante as aulas, ensina conceitos como tensão, potência e amperagem. Entre outros objetivos, ela capacita as alunas a identificar pequenos defeitos e problemas na rede elétrica, permitindo que realizem os reparos por conta própria ou saibam avaliar a situação ao acionar um profissional.

Muitas mulheres, por não conhecerem como o serviço é feito, são enganadas na hora que chega o orçamento.

A maior parte das mulheres procura o curso porque cansaram de esperar por seus maridos para fazer reparos em casa.

“A aluna quer trocar a resistência do chuveiro, já pediu para o marido consertar já faz três meses e ele não faz. Então, elas mesmas querem fazer”, exemplifica Santos acerca da justificativa pela qual as mulheres têm procurado o curso.

Algumas manifestam interesse em seguir carreira na área da construção civil após o curso, mas ainda persiste o preconceito nesse setor.

“A moça que é montadora de móveis já é recebida com certa dúvida. Já, por outro lado, se é a mesma montadora que está indo à casa de uma moça, por exemplo, fazer essa montagem, ela se sente mais segura em receber aquela profissional. Ainda é um espaço carente de ocupação por parte desses profissionais”, criticou Paula Santos.

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