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fonte:novo jornal
A exploração comercial do atum para exportação estĂĄ em queda livre, no Rio Grande do Norte. Antes um dos principais itens a interferir na balança comercial potiguar, a pesca oceĂąnica do grupo de espĂ©cies foi reduzida em 75% nos Ășltimos quatro anos - de quase 2000 toneladas remetidas ao mercado externo, em 2011, para cerca de 500 toneladas, nesse ano (os dados consideram atĂ© o mĂȘs de outubro). As movimentaçÔes financeiras da atividade caĂram quase sete milhĂ”es de dĂłlares, no perĂodo. Com base em apanhado geral dos dados coletados junto ao MinistĂ©rio do Desenvolvimento, IndĂșstria e ComĂ©rcio Exterior (MDIC), Ă© possĂvel exemplificar a crise pela qual passa o setor. Para tanto, basta observar a situação da principal empresa potiguar atuante na exportação de atum, a AtlĂąntico Tuna. Conforme apontava o relatĂłrio da balança comercial do Estado em 2011, o grupo dirigido pelo empresĂĄrio Gabriel Calzavara aparecia em 10Âș lugar entre os conglomerados do RN que mais geravm divisas a partir de exportaçÔes, com 10,3 milhĂ”es de dĂłlares (-38,8%). JĂĄ no balanço parcial de 2014, a AtlĂąntico Tuna sequer os 40 maiores exportadores do Estado. Nas listas de produtos potiguares campeĂ”es em vendas para o mercado externo nos Ășltimos quatro anos - sempre encabeçadas pelo melĂŁo fresco, seguido da castanha de caju - a participação das variedades de atum caiu de aproximadamente 3,5% (2011) para 1,8 (2014). As principais espĂ©cies exportadas pelo Rio Grande do Norte sĂŁo Albacora Bandolim, Albacora de Barbatana Amarela e o Atum Branco. Calzavara afirma o que problema estĂĄ "longe de ser o mercado internacional", considerando o panorama de franca expansĂŁo no qual se encontra o setor, atualmente. "O ponto crĂtico Ă© um falha de interpretação das normativas internacionais estabelecidas paa exploração sustentĂĄvel da pesca oceĂąnica", diz. O ĂłrgĂŁo que regula a atividade Ă© a ComissĂŁo Internacional para a Conservação de Atuns do AtlĂąntico (Iccat, na sigla em inglĂȘs). O presidente da AtlĂąntico Tuna explica que a empresa opera em perfeita conformidade com os parametros estabelecidos pela Iccat no Ășltimo ano de 2011, mas a fiscalização exercida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais RenovĂĄveis (Ibama) ainda leva em consideração as diretrizes anteriores datadas de 2007 e jĂĄ sem validade, segundo ele. " A culpa nĂŁo Ă© do Ibama, que apenas cumpre as diretrizes fixadas pelo MinistĂ©rio do Meio Ambiente (MMA). A responsabilidade de promover essa atualização junto ao MMA e do MinistĂ©rio da Pesca - eles Ă© que deveria cuidar para que a atividade pesqueira mantivesse seu desenvolvimento," detalha. Gabriel Calzavara calcula um prejuĂzo aproximado de R$ 20 milhoes, devido aos entraves burocrĂĄticos pela "interpretação erra da lei" que vem prejudicando o trabalho do grupo desde o ano passado. "Sem contar o que deixamos de ganhar", ressalta. De acordo com o executivo, o setor foi prejudicado justamente no momento em que preparava os prĂłximos passos, com o objetivo de proporcionar um crescimento ainda mais expressivo nas exportaçÔes do Rio Grande do Norte. Para tanto, a AtlĂąntico Tuna vinha investigando pesado em tecnologia e capacitação junto a conglomerados japoneses especialistas na pesca oceĂąnica de profundidade. No primeiro ano de atividades, 2011, o RN exportou 2000 toneladas de atum utilizando 11 embarcaçÔes japonesas.No ano seguinte, com redução programada para quatro navios atuneiros e otimização dos processos, foram exportadas 1800 toneladas do pescado. Esse curto perĂodo alçou o RN Ă posição "capital brasileira do atum", concentrando 80% da pesca de atum nobre em terras (e ĂĄguas) potiguares. "Nos fomos bloqueados justamente no Ășltimo ano da fase de transição. O intuito era, a partir de 2015, iniciar as operaçÔes exclusivamente com navios brasileiros - o projeto Ă© contar com 20 embarcaçÔes e atingir uma produção de 10 mil toneladas de atum jĂĄ no primeiro ano de operação plena. Para 2016, tinhamos o objetivo de chegar a 35 mil toneladas anuais, uma movimentação que supera os 100 milhĂ”es de dĂłlares", desabafa Calzavara. ApĂłs o acionamento do Poder JudiciĂĄrio para mediar a questĂŁo, jĂĄ existem pareceres favorĂĄveis Ă causa da AtlĂąntico Tuna, segundo informa o presidente da empresa, mas nĂŁo hĂĄ um prazo estipulado para que as operaçÔes possam voltar ao normal. A produção de atum no Rio Grande do Norte Ă© centrada nas variedades nobres do grupo de espĂ©cies. Ao contrĂĄrio de outras regiĂ”es, que produzem os produtos beneficiados do pescado - como os enlatados, por exemplo - a AtlĂąntico Tuna investiu na pesca oceĂąnica em altas profundidades, em busca das espĂ©cies mais apreciadas especialmente pelo mercado de comida japonesa (Sushi e Sashimi). Segundo Calzavara, o valor de mercado desses exemplares chega a ser duas vezes maior que os convencionais.
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