Foto: Alex Régis
O preço dos aluguéis residenciais em Natal teve alta de +3,01% em janeiro de 2026 (variação mensal), a maior entre as 22 capitais do Brasil monitoradas pelo Índice FipeZap. Junto à capital potiguar, Belém (+2,61%) e Manaus (+2,18%) registraram as maiores elevações país. Por outro lado, moradores de Aracaju (-2,31%), Teresina (-0,31%) e Florianópolis (-0,19%) viram o preço sofrer redução. A principal causa da elevação em Natal, segundo interlocutores do setor ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE, é a alta procura, ao passo que a oferta de imóveis segue limitada na cidade.
O diretor-secretário do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), Moisés Marinho, explica que o índice registrado em Natal no mês passado tem a ver com dois fatores. Um deles, é que o mercado segurou o preço dos aluguéis residenciais em dezembro; o outro, é a alta procura, decorrente do período de alta temporada.
“O efeito da boa procura, nesta época, é sentido não apenas em Natal, mas também em regiões como Pipa, no litoral Sul. As pessoas buscam aluguéis por prazos mais longos, por causa das férias, com mudança também no perfil dos imóveis, com crescimento da procura por apartamentos com dois ou três quartos”, disse Marinho.
Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da Habitação do Rio Grande do Norte (Secovi RN), também avalia que o índice de janeiro está relacionado à demanda do período. “Tradicionalmente, Natal é uma cidade onde as pessoas costumam fazer suas mudanças em meses de férias, sejam estas mudanças de pessoas que moram na cidade, mas também de quem vem de fora. Aliado a isso, ainda continuamos carentes de imóveis residenciais disponíveis para locação e, assim, a demanda continua maior que a oferta”, explica Netto.
“Ainda deve ser considerado que a capital potiguar está voltando a ser protagonista como uma cidade atrativa para se morar, pois estamos sentindo que novos negócios têm surgido por aqui, o que atrai pessoas de outros estados e pressiona os valores dos aluguéis para cima”, completa o presidente do Secovi RN.

Preço médio por m²
De acordo com o Índice FipeZap, o preço médio do metro quadrado em Natal ficou em R$ 41,17, com destaque para os bairros de Ponta Negra (valor médio de R$ 51,8), Petrópolis (R$ 46,7) e Lagoa Nova (R$ 41,4).
No acumulado de 12 meses, a alta na cidade foi de +12,47%. Neste recorte, Teresina (+20,95%), Belém (+18,14%), Cuiabá (+17,49%), Vitória (+16,60%), João Pessoa (+14,00%) e Fortaleza (+13,12%) registraram índices superiores aos da capital potiguar.
Já na análise por variação mensal, considerando apenas o Nordeste, além de Natal, Maceió (índice de +1,56%), João Pessoa (+1,19%), Fortaleza (+1,05%), Recife (+0,81%) e Salvador (+0,62%) também apresentaram elevação no índice dos aluguéis residenciais.
O economista Helder Cavalcanti detalha que o Índice FipeZap leva em conta a coleta de dados de anúncios para locação em portais de imóveis. Em seguida, os valores são analisados e ponderados para calcular a variação média dos preços de locação. “Para isso, os anúncios são filtrados, a fim de remover duplicatas e informações inconsistentes”, pontua. Ele atribui o índice de Natal em janeiro ao turismo e à baixa oferta de imóveis na cidade.
“Em janeiro a gente tem um aumento da procura por imóveis para locação na cidade, influenciada principalmente pelo turismo. Mas infelizmente ainda temos pouca disponibilidade de imóveis para aluguel em áreas de maior procura”, avalia o economista.

Índice no país supera IPCA e IGPM
Em janeiro, o Índice FipeZAP avançou 0,65% em todo o país, superando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apresentou alta de 0,33% no mês, e o Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), com variação de 0,41%. Em 12 meses, o FipeZAP acumula alta de 9,10% no Brasil, também acima da inflação medida pelo IPCA no período (+4,44%) e do IGP-M, que apresentou variação negativa de 0,91%.
O preço médio de locação nas 36 cidades pesquisadas foi de R$ 51,40 por metro quadrado (m²) em janeiro. Apartamentos de um dormitório concentram os valores mais elevados, com média de R$ 68,53/m². Os imóveis de três dormitórios, por sua vez, apresentaram o menor preço médio, de R$ 44,12/m².
Entre as capitais, Belém (R$ 63,60/m²) e São Paulo (R$ 62,96/m²) figuraram entre as mais caras da amostra quando se leva em conta o preço por metro quadrado. Na outra ponta, Campo Grande (R$ 28,47/m²) e Teresina (R$ 29,59/m²) tiveram os valores médios mais baixos.
Em relação à rentabilidade dos aluguéis residenciais, a cidade de São Paulo liderou, com variação de +8,70% em janeiro, seguida por Belém, com alta de +8,51 e Recife, com +8,41%. Em Natal, a rentabilidade foi de +7,55%, acima da média do país (+5,99%).
Tribuna do Norte
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