sexta-feira, 17 de março de 2017

PF revela esquema de carne adulterada; escândalo preocupa consumidor e ameaça exportações



Fonte: Reuters 

Por Sérgio Spagnuolo e Pedro Fonseca
CURITIBA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal lançou nesta sexta-feira uma operação para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários federais e cerca de 40 empresas, entre elas as gigantes JBS e BRF, com fraudes na fiscalização sanitária de carnes, num escândalo que traz preocupação aos consumidores domésticos e ameaça o status do Brasil como grande exportador.
As investigações, que duraram dois anos, apontam para o pagamento de propina para a liberação de mercadorias sem fiscalização, além de indicarem a possibilidade de parte da propina gerada ter ido para partidos políticos. Segundo o delegado da PF Maurício Moscardi Grillo, uma fatia teria ido para o PP e o PMDB.
"Nós torcíamos para aparecer uma empresa correta (na operação). Mas não aconteceu", afirmou Grillo a jornalistas.
De acordo com a PF, as investigações da chamada operação Carne Fraca, a maior já realizada pelos policiais federais, apontaram que os fiscais recebiam propina para emitir certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva. Um dos exemplos de fraude era o uso de substâncias capazes de ocultar odores de carnes estragadas que foram comercializadas.
As superintendências regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nos Estados do Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais, acrescentou a polícia.
Segundo o delegado, foram presos nesta manhã dois executivos da BRF e um do Grupo JBS.
À tarde, o secretário-executivo do ministério, Eumar Novacki, disse que foram interditadas unidades da BRF de Mineiros (GO), com suspeitas sobre carne de aves, e da Peccin em Jaraguá do Sul (SC) e Curitiba, ambas com suspeitas sobre embutidos --mortadela e salsicha.
Novacki disse que a partir da semana que vem haverá uma força-tarefa para investigar quatro grandes grupos empresariais e 21 unidades do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que estão sob fiscalização. Disse também que o ministro Blairo Maggi determinou o afastamento de 33 servidores envolvidos no escândalo.   
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