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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Parlamentares pedem suspeição de Toffoli por elo com Daniel Vorcaro


 Foto: AGÊNCIA BRASIL
ESTADÃO CONTEÚDO
Agência de Notícia

A revelação de que o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, fez aportes financeiros por meio de um fundo de investimentos no resort pertencente aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli tem mobilizado deputados e senadores que defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso no Congresso. Para esses parlamentares, o magistrado deveria se declarar impedido ou suspeito diante de um flagrante de conflito de interesses.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que assinou nesta semana um pedido de impeachment de Toffoli e defende a instalação de uma CPI, avalia que o ministro gozava do “crédito da dúvida” sobre a existência de conflito de interesses na sua atuação, mas que, agora, diante dos fatos revelados pelo Estadão, ele deveria se afastar da investigação. “Dá tempo de ele se declarar impedido ou suspeito, inclusive pela transparência das investigações”, afirmou.

A parlamentar afirma que, desde o início da tramitação do caso envolvendo o Banco Master no STF, tem questionado as atitudes de Toffoli, especialmente quando ele retirou da alçada da CPI do INSS as informações coletadas a partir da quebra de sigilo de Vorcaro e delegou à presidência do Senado a responsabilidade por esses dados.

“Essa decisão dele me causou muito espanto na época, mas eu pensei: ‘eu não estou entendendo a linha de investigação dele. Será que ele tem uma linha de investigação que não queria que muitos assessores da CPMI tivessem acesso a esses documentos para não vazar, nada?’. Eu achava que ele estava tendo zelo com a investigação, mas, agora, diante do que vocês estão revelando, é inconcebível ele continuar na investigação”, afirmou.

Ela e outros seis senadores integram um grupo de trabalho instalado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para acompanhar as investigações e apurações relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master.

O Estadão questionou o presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre como avalia a proximidade dos parentes de Toffoli com pessoas investigadas e presas no caso Master, mas ele disse não ter conhecimento sobre as revelações e que prefere aguardar a criação do plano de trabalho para não atrapalhar as atividades com avalições precoces. O parlamentar afirmou que divulgará em breve os primeiros passos das atividades do grupo.

Outro parlamentar que defende o afastamento de Toffoli do caso é o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que é o autor do pedido de instalação de CPI para investigar o caso. “É evidente que nós estamos diante de um caso que envolve muita gente de poder no nosso País, envolve várias instituições e Poderes, e nós já tínhamos uma suspeita muito grande do envolvimento do ministro Dias Toffoli. É tudo muito suspeito”, afirmou, citando as decisões recentes do magistrado no caso.

“Ele deveria ser impedido e suspeito. Ele não poderia estar fazendo isso”, afirmou. “Diante de um caso em que eles (ministros do STF) podem ser penalizados, eles vão tentar de tudo para se blindar. Eu não acredito que ele vá em momento algum arguir a sua suspeição. Nós temos que trabalhar por isso”, afirmou.

Jordy deixa claro que, uma vez instalada a CPI, a estratégia seria investigar os parentes dos ministros colateralmente envolvidos no caso, como Toffoli, por meio dos irmãos, e Alexandre de Moraes, cuja esposa possui um contrato de R$ 129 milhões para defender os interesses do Master na Justiça e em órgãos de controle. Uma CPI não tem competência para investigar ministros de tribunais de superiores.

O deputado traça como estratégia convocar os familiares desses ministros na condição de testemunhas por compreender que uma eventual convocação como investigados lhes garantiria um habeas corpus por parte de Toffoli na tentativa de blindar a exposição pública dessas figuras.

Toffoli atende PF e prorroga inquérito por mais 60 dias

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou, na sexta-feira (16), por mais 60 dias o prazo para conclusão das investigações sobre suspeitas de irregularidas na operação de venda do Banco Master.

Segundo ministro, por se tratar de manifestações de autoridade policia, foi necessária uma nova prorrogação. A decisão ocorre após um pedido da Polícia Federal (PF). Segundo ministo, as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 dias, devem ser deferidas. “Intima-se a Procuradoria-Geral da República”.

A PF terá mais dois meses para concluir relatórios, analisar o material apreendido e eventualmente propor novas medidas investigativas.

As investigações sobre o Banco Master chegou o STF em dezembro, quando ficou decidido que o caso tramitaria na Suprema Cortes, substituindo a Justiça Federal em Brasília. Nesta semana houve a segunda fase da Operação Compliance Zero. Toffoli havia retirado da PF a responsabilidade de guardar e analisar os materiais apreendidos – ele recuou parcialmente da ordem após ter sido alvo de críticas.

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema que movimentou R$ 12 bilhões.

Na sexta, o minsitro já tinha determinado que a Polícia Federal alterasse o cronograma de colheita de depoimentos dos investigados no caso do Banco Master para concentrar as diligências em apenas dois dias.

Indícios de fraudes puseram fim a uma das maiores gestoras do país

O Banco Central (BC) decretou na quinta-feira a liquidação extrajudicial da Reag Trust, uma das maiores gestoras independentes de recursos do país. A decisão foi anunciada um dia depois de a Polícia Federal deflagrar a segunda fase da Operação Compliance Zero, que teve João Carlos Mansur, fundador da Reag, entre os alvos de busca e apreensão.

Esta etapa da investigação concentra as atenções nas relações entre o Banco Master e a gestora e reúne indícios de um amplo esquema de fraude financeira que se alimentava de uma complexa teia de fundos de investimento.

A decisão do BC aponta violações relevantes a normas que regem o funcionamento das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, para preservar recursos para eventual ressarcimento de credores.

Na Faria Lima, a decisão do BC não causou surpresa. A situação da gestora era considerada insustentável. Terminou ontem, com uma queda dramática marcada por contornos policiais, a história da ascensão meteórica da Reag no coração financeiro de São Paulo, a partir da aquisição de fundos exclusivos (usados por grupos fechados para investimentos de alto valor).

Como tudo começou?

A empresa foi fundada em 2012 por João Carlos Mansur, empresário que foi alvo de busca e apreensão na quarta-feira na segunda fase da Operação Compliance Zero. Em pouco tempo já se destacava com a gestão de grande volume de dinheiro, com ligações com o futebol e até com o cinema.

Em janeiro de 2025, a Reag estreou na Bolsa. No lugar de lançar ações no mercado, ela comprou uma empresa que já estava listada.

Ela chegou a dar nome a um dos mais icônicos cinemas de rua de São Paulo, o Belas Artes, na região da Avenida Paulista. O contrato de naming rights com o cinema foi encerrado em dezembro, de forma antecipada (o acordo era de cinco anos) após as investigações policiais em torno da Reag.

Quando o cenário começou a mudar?

Não foi a primeira vez que a PF bateu à porta da Reag. Em agosto, foi deflagrada a Operação Carbono Oculto, que investiga os laços econômicos do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia, principalmente no setor de combustíveis.

Investigações apontaram que 11 fundos ligados à gestora teriam sido usados para adquirir bens como imóveis, veículos e até usinas de álcool dentro de um esquema de lavagem de dinheiro. A empresa nega envolvimento.

Em setembro, a Reag passa por uma reestruturação, que leva à saída de João Carlos Mansur do controle do grupo e do cargo de CEO em uma tentativa de recuperar a imagem.

Em outubro, a Reag decide fechar capital e sair da Bolsa, o que livra a empresa das regras de transparência e prestações de contas exigidas de empresas abertas.

Em novembro, é deflagrada a primeira fase da Operação Compliance Zero, que trata das fraudes no Banco Master. O dono do banco, Daniel Vorcaro, é preso e liberado 11 dias depois. A etapa inicial concentrou atenções na venda de carteiras de crédito falsas pelo Master ao BRB, banco público de Brasília.

Em dezembro, relatórios do Banco Central e do Ministério Público Federal apontam conexões financeiras entre o Master e os fundos ligados à Reag, com operações que inflaram artificialmente os resultados do banco.

Em 14 de janeiro, é deflagrada a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mira os laços entre Master e fundos da Reag.

A investigação mostra que empresas pegavam empréstimos no Master e reaplicavam os recursos em fundos da Reag. O dinheiro era movimentado em operações sucessivas entre diversos fundos, sobrevalorizando artificialmente ativos e promovendo rentabilidade ao final muito superior ao verificado em qualquer parâmetro de mercado.

10 milhões por cento

Em uma das transações investigadas, revelada pelo jornal O GLOBO, isso resultou em valorização de 10.502.205%, um percentual que não encontra respaldo em qualquer parâmetro de mercado. No fim, os recursos voltavam ao Master por meio da compra de CDBs.

Um percentual de valorização dessa magnitude é não só indício de possível uso da estrutura para lavagem de dinheiro como violação da norma de contabilidade de “valor justo”. Isso por si só já seria suficiente para dar lugar a uma punição.

A ideia do valor justo é que, se não há preço definido em Bolsa ou em transações frequentes no mercado, a técnica deve buscar chegar a um valor para os títulos que tenha alguma lógica de mercado.

Segundo pessoas a par do caso Reag, a gestora foi alertada pelas autoridades de procedimentos irregulares ao menos desde 2023. E, salvo alguns ajustes, seguiu de forma recorrente incorrendo em irregularidades na gestão de ao menos parte dos 625 fundos sob administração.

Procurada para comentar o assunto, a Reag não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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ESTADÃO CONTEÚDO

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