terça-feira, 23 de maio de 2017

Até onde Temer pode se segurar?


Brasilien Michel Temer (Getty Images/AFP/E. Sa)

Fonte: DW 

A avalanche de denúncias sugere que seu governo está acabado, mas Michel Temer ainda tenta demonstrar que tem força para resistir. O presidente passou o domingo (21/05) em encontros com ministros e representantes de sua base aliada no Congresso em um esforço para evitar novas deserções, demonstrando que ainda lhe resta alguma capacidade de reação.
Por ora, a iniciativa parece ter momentaneamente estancado a sangria e comprado algum tempo para o presidente entre seus aliados, tudo isso após uma semana que terminou com a saída de ministros e notícias – posteriormente desmentidas – que cravaram como certa a sua renúncia após a divulgação da delação da JBS.
No domingo, um dos encontros entre Temer e aliados reuniu 17 ministros, 23 deputados e seis senadores de diversos partidos. Os políticos que falaram à imprensa afastaram, por ora, o risco de uma debandada ainda maior. O discurso entre aliados variou entre a defesa do presidente e um resignado "ruim com ele, pior sem ele".
O maior risco imediato para Temer era a saída do DEM e do PSDB, que serviram de fiadores do seu governo após o afastamento de Dilma Rousseff em 2016. As duas siglas chegaram a ensaiar um desembarque conjunto, mas acabaram decidindo esperar. Por enquanto, só o PSB (que tem sete senadores e 27 deputados) deixou o governo. Outro alívio para o planalto ocorreu nas ruas. Os protestos contra o presidente no fim de semana também não repetiram o efeito de manifestações anteriores, reunindo apenas algumas milhares de pessoas.
O presidente também continua a afirmar que não vai renunciar. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, disse que tomar a iniciativa de deixar o cargo "seria admissão de culpa".
Próximos passos
Embora Temer tente demonstrar que ainda tem algum controle sobre os acontecimentos, os próximos dias devem testar novamente o que de fato resta do seu capital político.
A principal frente contra o presidente está no âmbito jurídico. Temer se tornou alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.